Viagem ao Oriente Médio e Ásia – Dubai

Arranha Céus de Dubai
Foto Yeda Saigh

Nosso destino final nesta viagem era a Coreia, país que há tempos eu desejava conhecer e que hoje é considerado um dos mais desenvolvidos da Ásia, rivalizando em tecnologia e inovação com o Japão. É curioso lembrar que, há poucas décadas, o Brasil estava muito à frente da Coreia em termos de desenvolvimento, e agora a realidade se inverteu de forma impressionante.

Chegada em Dubai
Foto Yeda Saigh

Como a viagem até lá seria longa, decidimos fazer uma parada estratégica em Dubai, onde passamos quatro dias. A Emirates, companhia aérea com a qual voamos, oferece um serviço excepcional — inclusive o transporte de carro até o aeroporto em todos os destinos da viagem para cada uma das passageiras. Foram 14 horas de voo entre São Paulo e Dubai, e a parada foi perfeita para nos adaptarmos ao fuso horário antes de seguir rumo ao Extremo Oriente.

Eu havia estado em Dubai pela última vez em 2012, e foi surpreendente constatar o quanto a cidade mudou desde então. Novos e imponentes arranha-céus tomaram o horizonte, reafirmando a vocação futurista desse emirado que, em poucas décadas, se reinventou por completo. Durante nossa breve estadia em Dubai, hospedamo-nos no Jumeirah Al Qasr, um resort que sintetiza o luxo e a opulência característicos do emirado. Inspirado na arquitetura tradicional árabe, o hotel integra o monumental complexo Madinat Jumeirah, um verdadeiro destino dentro da cidade, que reúne seis propriedades interligadas por canais artificiais. A atmosfera é de uma Veneza árabe, onde os tradicionais barcos de madeira — os abras — substituem os carros e conduzem os hóspedes por águas tranquilas que serpenteiam entre jardins exuberantes, pontes ornamentadas e palmeiras. 

Hotel Jumeirah Al Qasr
Foto Yeda Saigh

Cada trajeto revela um novo ângulo desse universo de elegância, emoldurado pela silhueta futurista do Burj Al Arab, visível de diversos pontos do resort. O nome Al Qasr significa “O Palácio” em árabe, e não por acaso: o hotel foi concebido para evocar a residência de um sheik, com colunas de mármore, lanternas entalhadas e fontes que pontuam os pátios internos. O Madinat Jumeirah abriga ainda mais de cinquenta restaurantes e bares, um souk tradicional com lojas de artesanato, perfumes e jóias, que é a 5 mns do hotel a pé. Tem também um anfiteatro ao ar livre e o prestigiado Talise Spa, reconhecido como um dos melhores dos Emirados Árabes. O conjunto é tão completo que o hóspede pode facilmente passar dias inteiros sem sentir necessidade de sair do complexo. Um detalhe curioso é que os abras (barcos) que circulam pelos canais foram inspirados nos antigos barcos usados no Dubai Creek, o coração histórico da cidade. Dos terraços, é possível admirar uma das vistas mais emblemáticas do emirado: o Burj Al Arab, o icônico hotel em forma de vela que se tornou símbolo máximo do luxo moderno. À noite, com as luzes refletidas na água e o som distante dos abras deslizando pelos canais, o cenário ganha uma atmosfera quase cinematográfica.

Lobby do Hotel Jumeirah Al Qasr
Foto Yeda Saigh

No primeiro dia, visitamos o Museu do Futuro, uma das novas joias arquitetônicas de Dubai e, sem dúvida, uma das construções mais impressionantes do mundo contemporâneo. O edifício, em formato elíptico e revestido por painéis de aço inoxidável caligrafados em árabe, é uma obra-prima de design e engenharia que simboliza, de maneira poética, o que ainda está por vir. A estrutura, projetada pelo arquiteto Shaun Killa, representa uma interseção entre arte, ciência e espiritualidade. 

Museu do Futuro
Foto Yeda Saigh

Seu vazio central — um grande espaço circular aberto — é uma metáfora para o desconhecido: tudo aquilo que ainda não sabemos, mas que poderá ser descoberto. As inscrições que revestem a fachada são versos do Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, governante de Dubai, sobre inovação e o papel do conhecimento na construção do futuro. O museu propõe uma verdadeira viagem sensorial e interativa por temas como inteligência artificial, exploração espacial, biotecnologia, preservação ambiental e o impacto das novas tecnologias no cotidiano humano. 

Museu do Futuro
Foto Yeda Saigh

Cada andar apresenta uma narrativa própria — o visitante é convidado a explorar diferentes dimensões do futuro, como se transitasse por mundos paralelos em uma ficção científica cuidadosamente encenada. É muito importante visitar o museu com um guia, para se compreender melhor as exposições. 

Almoçamos no Trattoria, um restaurante italiano dentro do complexo do hotel. 

Restaurante Trattoria
Foto Yeda Saigh

Seguimos para o Souk Madinat Jumeirah, um souk “walking distance” do nosso hotel: charmoso, repleto de lojas de artesanato, especiarias e tecidos. É um lugar agradável para explorar a pé e, em muitos casos, mais acessível que as grandes lojas da cidade. 

O spa do hotel também merece destaque — moderno, tranquilo e com um serviço impecável. 

Resort Palmeraih
Foto Yeda Saigh

À noite, jantamos no Promenade, restaurante sofisticado e excelente, localizado dentro do próprio complexo.

No dia seguinte, fizemos um tour pela cidade acompanhados por Silvia, nossa guia, que se revelou excelente companhia — atenciosa, bem-humorada e repleta de informações interessantes sobre a história e o desenvolvimento dos Emirados. Começamos visitando o The View at The Palm, o mirante localizado no topo da Palm Tower, de onde se tem uma visão privilegiada de um dos maiores símbolos da engenharia moderna: a Palm Jumeirah. Vista do alto, a ilha impressiona pela precisão geométrica de seu desenho em forma de palmeira, um feito que só se compreende plenamente a essa distância. A construção da Palm Jumeirah é um verdadeiro marco de ambição e inovação — erguida inteiramente com areia e rochas extraídas do próprio Golfo Pérsico, sem o uso de concreto estrutural no alicerce. O projeto demandou seis anos de trabalho e mais de 100 milhões de metros cúbicos de materiais, redefinindo a linha costeira de Dubai e projetando a cidade como um dos polos de engenharia mais ousadas do planeta.

The view at the Palm 
Foto Yeda Saigh

Inaugurada oficialmente em 2006, a ilha abriga hoje alguns dos endereços mais cobiçados do emirado: hotéis de luxo, como o Atlantis The Palm e o One&Only The Palm, residências exclusivas, marinas e uma vibrante oferta gastronômica à beira-mar. 

Palm Jumeirah
Foto Yeda Saigh

Depois fomos visitar a “cidade antiga”, uma área totalmente restaurada que procura recriar a atmosfera de Dubai antes da modernização vertiginosa. As vielas estreitas, os pátios internos e os edifícios de areia clara remetem à arquitetura tradicional dos Emirados, marcada pelas torres de vento, um sistema ancestral de ventilação natural que precede o uso do ar-condicionado na região. 

Cidade Antiga
Foto Yeda Saigh

Passamos pela Dubai Frame, inaugurado em 1º de janeiro de 2018, é uma das mais impressionantes construções da cidade e um símbolo de sua capacidade de unir passado e futuro em uma única moldura. Localizado no Zabeel Park, o monumento tem 150 metros de altura e cerca de 95 metros de largura. Projetado pelo arquiteto mexicano Fernando Donis, o edifício foi concebido para oferecer uma experiência sensorial e simbólica: de um lado, o visitante observa a antiga Dubai — o bairro histórico de Deira e o Creek, onde a cidade nasceu — e, do outro, a Dubai moderna, com seus arranha-céus futuristas e avenidas largas. 

The Frame
Foto Yeda Saigh

Curiosidade
É difícil imaginar que, há pouco mais de meio século, toda essa região era composta apenas por pequenos vilarejos de pescadores e mercadores de pérolas, cercados por extensões de deserto. A história recente de Dubai é, de fato, fascinante. Foi apenas na década de 1970, com a descoberta do petróleo, que o emirado iniciou sua transformação radical. O então governante, Sheikh Rashid bin Saeed Al Maktoum — pai do atual emir, Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum — foi o grande visionário que idealizou os primeiros grandes projetos de infraestrutura, como o Porto de Jebel Ali, o Dubai World Trade Centre e, mais tarde, lançou as bases da Palm Jumeirah e o Museu do Futuro. Pensar que, há apenas cinquenta anos, essa paisagem era um simples deserto habitado por tribos beduínas e caravanas de camelos é algo impressionante. 

Cais de Dubai
Foto Yeda Saigh

Seguimos para o mercado do ouro e o mercado das especiarias, dois dos souks mais tradicionais da cidade. A loja de especiarias do Sr. Youssef foi um destaque: ele é simpático, conhecedor e sua loja é um pequeno paraíso para quem aprecia temperos, chás e essências. Já o mercado do ouro impressiona pela abundância — as vitrines reluzem com joias elaboradas e peças de peso, algumas dignas de museu.

Cidade do Ouro
Foto Yeda Saigh

Encerramos o dia no Mall of the Emirates, um dos shoppings mais elegantes da cidade, com lojas de vaiadas griffes famosas.

Mall of the Emirates 
Foto Yeda Saigh

Almoçamos no Cipriani, sempre uma boa pedida. Inspirado nas pasticcerias italianas e nas lendas do Harry’s Bar, o Cipriani oferece uma seleção de pratos venezianos clássicos, vindos do verdadeiro templo da tradição.

Restaurante Cipriani
Foto Internet

À noite, jantamos no Pierchic, restaurante à beira-mar, com uma vista deslumbrante do Burj Al Arab, iluminado pela lua cheia — talvez o jantar mais memorável da viagem até então.

Restaurante Pierchic
Foto Internet
Vista do restaurante Pierchic
Foto Yeda Saigh

No dia seguinte, seguimos para Abu Dhabi, a cerca de uma hora e meia de Dubai. Capital e maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, ocupa aproximadamente 87% do território do país, embora tenha uma população significativamente menor que a de Dubai. Enquanto Dubai se destaca pelo turismo de luxo e pela inovação urbana, Abu Dhabi é conhecida por seu papel político e econômico central, tendo, em diversas ocasiões, apoiado financeiramente Dubai.

A primeira parada foi a Mesquita Sheikh Zayed, a segunda maior do mundo. Vimos o maior tapete persa do mundo no interior da mesquita, e é realmente muito bonito e muito verde (o Sheihk queria trazer um jardim para dentro da mesquita). Confeccionado por 1.200 mulheres iranianas durante dois anos. Os lustres de cristal Swarovski são maravilhosos e enormes. A imponência da mesquita é indescritível — mármore branco, mosaicos florais e reflexos dourados criam um ambiente de rara beleza. 

Mesquita Sheikh Zayed
Foto Yeda Saigh

Curiosidade:
Na religião muçulmana é proibido o uso de figuras de santos nas mesquitas. A mesquita com tem 82 cúpulas e cabem 41 mil pessoas!! Foi construída entre 1996 e 2007 e dedicada ao Sheik Zayed bin Sultán al Nahyan, fundador e primeiro presidente do país, falecido em 2004 e enterrado na mesquita. Para entrar na mesquita é obrigatório cobrir a cabeça, na entrada da mesquita tem uma sala com écharpes e túnicas longas, todas pretas, que eles emprestam para as turistas poderem entrar. O banheiro das mulheres é super organizado e limpo, chega até a ser bonito. São várias fontes com torneiras em volta e banquinhos para que as mulheres possam se sentar e fazer o ritual da purificação antes de entrarem na mesquita: lavar o rosto, as mãos e os pés três vezes antes da reza, pois são as partes do corpo que podem fazer tanto o bem como o mal.

Nas paredes da mesquita há vários relógios enormes mostrando o ano que eles estão (1.447 – ano islâmico) e o nosso ano (2.025 – ano cristão), e os horários diários que os fiéis devem rezar, sempre virados para Meca.

Mesquita Sheikh Zayed
Foto Internet

De lá seguimos para visitarmos o Palácio Presidencial (Qasr Al Watan), O Qasr Al Watan, ou Palácio Presidencial dos Emirados Árabes Unidos, inaugurado em 2019 em Abu Dhabi, é uma das construções mais grandiosas do país. Embora não seja residência real, abriga reuniões do governo e recepções de chefes de Estado. Seu nome, que significa “Palácio da Nação”, reflete o desejo de compartilhar com o público a herança política e cultural dos Emirados. Com arquitetura árabe e design contemporâneo, destaca-se pelo mármore branco, detalhes dourados e o imponente Great Hall, cujo domo atinge 37 metros de altura. O palácio abriga ainda uma biblioteca com mais de 50 mil obras e o espetáculo noturno “Palace in Motion”, que narra, por meio de luz e som, a história e os valores do país.

Palácio Presidencial (Qasr Al Watan)
Foto Yeda Saigh

Almoçamos no Emirates Palace Mandarin Oriental, na beira do Golfo Pérsico. O Mandarin é um ícone do luxo e da hospitalidade árabe em Abu Dhabi. Com sua arquitetura monumental, o palácio impressiona pelas 114 cúpulas, o mármore italiano e os lustres de cristal que refletem o esplendor do Oriente Médio. O saguão, com aroma de incenso e luz dourada, antecipa a experiência de elegância e conforto dos quartos e suítes com vista para o mar. Entre praias privativas, jardins e piscinas, o hotel abriga restaurantes premiados e um spa digno da realeza. À noite, iluminado em tons dourados, o Emirates Palace parece um conto das “Mil e Uma Noites”, onde tradição e modernidade se encontram em perfeita harmonia.

Emirates Palace Mandarin Oriental 
Foto Internet

À tarde fomos visitar o famoso Louvre Abu Dhabi, de arquitetura igualmente notável, projetado por Jean Nouvel. Seu domo metálico filtra a luz solar criando um efeito conhecido como “chuva de luz”, inspirado na geometria árabe tradicional. A visita, conduzida por uma guia entusiasmada, acabou sendo um pouco longa, mas ainda assim valeu a pena. O acervo ainda é restrito. O museu faz parte de um ambicioso projeto cultural que pretende transformar a ilha de Saadiyat em um polo de museus — uma ideia que remete à famosa “Ilha dos Museus”, em Berlim.

Louvre de Abu Dhabi 
Foto Yeda Saigh

De volta a Dubai, jantamos no Mirabelle, localizado no recém-inaugurado Hotel Marsa Al Arab, um empreendimento monumental com 11 restaurantes. 

Hotel Marsa Al Arab
Foto Yeda Saigh

O último dia foi reservado ao descanso. Aproveitamos a piscina e a praia do hotel, vale muito a pena, atenção: a temperatura da água do mar é muuuuito quente, cuidado para não se queimar, mas depois você se acostuma.

À tarde fomos visitar o Burj Al Arab; antes tinha acesso livre, hoje você tem que reservar e pagar entrada. O hotel é um espetáculo à parte — luxuoso, mas de gosto um tanto excessivo, com uma profusão de dourados em cada detalhe.

Burj Al Arab
Foto Yeda Saigh

Almoçamos no Sal, restaurante localizado em frente ao mar, muito bonito, decoração toda em azul e branco com motivos do mar, dentro do nosso resort. 

Restaurante Sal
Foto Yeda Saigh

Demos uma volta nas lojas do Burj Al Arab, bem simpáticas. 

À noite, fizemos um lanche leve no bar do hotel antes de seguir ao aeroporto. Após algumas horas na sala VIP, que é maravilhosa, embarcamos rumo a Seul, prontos para descobrir um novo capítulo da nossa jornada: a Coreia.

NOTA CULTURAL:
A artista plástica Leda Catunda acaba de retornar de uma viagem de oito dias aos Emirados Árabes Unidos, onde inaugurou sua maior retrospectiva fora do Brasil. Intitulada “I Like to Like What Others Are Liking”, a exposição ocupa dois andares da Sharjah Art Foundation, uma das instituições mais prestigiadas dedicadas à arte contemporânea na região. A mostra reúne mais de sessenta obras produzidas desde os anos 1980 e marca um importante reconhecimento internacional da trajetória da artista. O convite partiu pessoalmente da curadora Hoor Al-Qasimi, presidente e diretora da fundação, que também está à frente da Bienal de Sharjah 2026.

Para terminar um pensamento do fundados dos Emirados Árabes Unidos Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan: 

“A riqueza não está no dinheiro ou no petróleo,
mas nas pessoas que constroem o futuro.”

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