Fomos para Lisboa no dia 22 de outubro voo da Latam, às 17h40. Preste atenção quando reservar os assentos, depende da fila são muito apertados e, apesar de parecerem contínuos no mapa, descobrimos que apenas algumas fileiras realmente permitiam sentar lado a lado. Voo bom, aterrissamos em Lisboa às 7h10, ainda madrugada no horário do Brasil.

Yeda Saigh
O aeroporto Humberto Delgado tem filas enormes, sem estrutura para muita gente que chega no mesmo horário. Mas, uma boa notícia, estão fazendo um novo aeroporto para ser inaugurado até 2034!!! que vai se chamar Luiz de Camões.
Apesar da população de Portugal ter mais de dez milhões de habitantes, o aeroporto atual recebe 30 milhões de passageiros por ano!! 2.5 milhões por mês, ¼ da população portuguesa!!
Um bom serviço do Hotel Tivoli é o traslado do aeroporto, meia hora até o hotel. Entre o desembarque e chegar no hotel levamos apenas duas horas, o que para Lisboa foi um sucesso!! O hotel é ótimo, serviço impecável, a ponto de o concierge nos ligar todos os dias para ver se estava tudo em ordem. Uma boa pedida é pedir sanduiche no lobby do hotel: é muito divertido você ficar olhando todo o movimento.

Yeda Saigh
O Hotel Pestana continua maravilhoso, vale a pena visitar e tomar um drink. O hotel se destaca por ocupar um autêntico palácio do século XIX, originalmente construído para o Marquês de Valle-Flôr, o que confere ao hotel uma atmosfera de nobreza e sofisticação raras. Classificado como Monumento Nacional, o edifício preserva salões ornamentados, escadarias imponentes, vitrais, jardins históricos e elementos decorativos que remetem ao luxo aristocrático da época.

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Ao mesmo tempo, oferece conforto contemporâneo de alto padrão, com spa, piscinas, restaurantes premiados e os apartamentos são ótimos. Essa união entre patrimônio histórico e excelência hoteleira transforma o Pestana Palace em uma das experiências mais emblemáticas de hospedagem em Lisboa.

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Curiosidade
O Marquês de Valle-Flôr — António Augusto Carvalho Monteiro (1848–1920) — foi uma das figuras mais intrigantes da elite portuguesa do final do século XIX e início do XX. Embora hoje seja lembrado sobretudo pela criação da Quinta da Regaleira, em Sintra, sua vida reúne riqueza, excentricidade, filantropia e um certo mistério que atravessa até hoje seu legado. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em uma família de comerciantes portugueses muito bem-sucedidos. Herdou uma grande fortuna ligada ao comércio de café, motivo pelo qual ficou conhecido como “Monteiro dos Milhões”. Ainda jovem, mudou-se para Portugal, onde se estabeleceu definitivamente e investiu em negócios, coleções e projetos arquitetônicos ambiciosos. Colecionava livros raros, objetos exóticos, minerais e obras de arte. Essa curiosidade inesgotável influenciou profundamente a estética da Quinta da Regaleira.
Almoçar no restaurante Solar dos Presuntos é um must! Fundado em 1974 sendo um dos restaurantes mais tradicionais e respeitados de Lisboa, tem forte presença de receitas do norte de Portugal, e uma de suas maiores curiosidades é a fiel clientela: o Solar é frequentado há décadas por políticos, artistas, jornalistas e personalidades internacionais, mantendo-se como símbolo de constância, autenticidade e tradição em meio às transformações de Lisboa.

Yeda Saigh
Jantar no Bistrô 4, walking distance do hotel — excelente. Restaurante do hotel PortoBay Liberdade, traz a Lisboa o seu conceito de bistronomie. Este movimento gastronómico, nascido em França, funde bistrô e alta gastronomia, numa cozinha de qualidade a preços acessíveis. Este conceito inovador serve-se em ambiente descontraído, com menu reduzido e produtos de mercado.

Yeda Saigh
Ir ao o Estoril é um excelente passeio. Almoçamos no Restaurante Majestic, ao lado do Cassino. Comida ótima!! Especialidade Pato de Pequim. Estoril tem uma história riquíssima e várias curiosidades que rendem ótimos comentários em textos de viagem.

Foto Yeda Saigh
Localizado na chamada Linha de Cascais, a poucos minutos de Lisboa, o bairro ganhou fama internacional durante a Segunda Guerra Mundial, quando se transformou em refúgio de reis, rainhas, príncipes e aristocratas exilados da Europa. Foi nesse período que o Casino do Estoril, hoje um dos maiores da Europa, tornou-se símbolo de glamour, espionagem e encontros diplomáticos discretos — cenário que, inclusive, inspirou Ian Fleming na criação de James Bond. Além disso, o Estoril combina esse passado sofisticado, mantendo até hoje seu status de destino charmoso, solar e aristocrático de Portugal.

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Jantar no restaurante Seen by Oliver no roof top do hotel, muito animado e muito bom!! Recomendo!!

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Um bom programa é ir almoçar no restaurante Sud Lisboa Terrazza, à beira do Tejo, onde oferece bons momentos com com uma linda vista para o Tejo. O menu “sharing concept” é perfeito para qualquer ocasião.

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Depois fomos visitar o Museu MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, inaugurado em 2016 obra da arquiteta britânica Amanda Jane Levete, ganhadora do Prêmio Stirling e diretora do escritório de arquitetura AL_A.

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Vimos duas exposições lindíssimas: uma da artista Cerith Wyn Evans com exposição intitulada “Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo)” e outra de uma artista franco-portuguesa Isabelle Ferreira que retrata pessoas que precisaram deixar Portugal durante o regime de Salazar e retornaram posteriormente, nome da exposição é: “Notre Feu”. O museu integra um edifício contemporâneo de linhas orgânicas com a histórica Central Tejo, antiga usina termelétrica que abastecia a cidade e hoje funciona como núcleo expositivo sobre energia e indústria. Uma das grandes curiosidades do MAAT é justamente essa fusão entre passado industrial e vanguarda artística.

Yeda Saigh
Visitar Sintra também é um must!! Saindo de Lisboa, o caminho até Sintra é simples e rápido: o comboio (trem) parte da estação do Rossio e, em 30 minutos já nos coloca em meio à atmosfera romântica da vila. Um dos grandes destaques é a Quinta da Regaleira, palácio singular idealizado por António Augusto Carvalho Monteiro em parceria com o arquiteto e cenógrafo italiano Luigi Manini.

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Declarado Patrimônio da Humanidade, o conjunto abriga jardins, grutas, túneis, torres e o célebre Poço Iniciático, compondo um universo simbólico que mescla alquimia, maçonaria, rosa-cruz, mitologia greco-romana e referências religiosas.

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Cada espaço parece pensado como uma narrativa em camadas, um verdadeiro “teatro da alma”, concebido para provocar reflexão espiritual e intelectual. Embora nunca tenha solicitado títulos nobiliárquicos, o nome de Carvalho Monteiro acabou associado ao de Marquês de Val-Flor, título concedido posteriormente à sua filha, D. Isabel.Jantamos na Taverna dos Trovadores, um restaurante simples, mas muito bom.

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Recomendo o restaurante Rocco, no bairro Chiado — super diferente, com decoração inspirada no século XIX e um dos bares mais bonitos de Lisboa.

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Passear pelo Chiado é muito gostoso, lojas muito simpáticas, bares, sempre cheio de gente! Não deixe de dar uma passada nos Armazéns do Chiado, uma loja antiga e tradicional de Lisboa.

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Almoçamos no Clube Turf, extremamente exclusivo, a comida foi muito boa, servida à francesa, com garçons de luvas sendo que o local permanece como um dos últimos redutos da antiga sociabilidade lisboeta. Fundado no final do século XIX e instalado no coração do Chiado, ele guarda a atmosfera dos clubes ligados ao hipismo e às tradições aristocráticas, preservando salões silenciosos, mobiliário histórico e um ritual social que atravessou monarquia, República e modernização da cidade.

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O JNcQUOI tornou-se um dos nomes mais emblemáticos da cena gastronômica e social de Lisboa ao unir comida, moda e lifestyle em espaços de forte identidade. Inaugurado em 2017 na Avenida da Liberdade, o JNcQUOI Avenida foi o primeiro do grupo e apresentou um conceito inovador: restaurante sofisticado, bar animado e loja de moda de luxo convivem num mesmo ambiente, instalado num edifício histórico, o Teatro Tivoli, marcado por uma decoração ousada e atmosfera cosmopolita. Em 2019, o grupo ampliou a proposta com o JNcQUOI Asia, também na Avenida da Liberdade, inspirado nas rotas orientais ligadas à história portuguesa, com uma cozinha asiática contemporânea que dialoga com Índia, Japão, China e Sudeste Asiático. Juntos, os dois restaurantes consolidaram-se como pontos de encontro onde gastronomia, estética e experiência urbana se fundem.

Yeda Saigh
Passear pela Avenida da Liberdade é muito agradável: muito arborizada, as melhores lojas de grife estão lá, hotéis, restaurantes, bares e cafés.

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Confeitaria “A Brasileira” fundada em 1905, um dos cafés mais emblemáticos de Lisboa. Criada por Adriano Telles, ex-emigrante português no Brasil e ligado ao comércio de café, a confeitaria nasceu com o objetivo de apresentar aos portugueses essa bebida então ainda pouco difundida no país. Foi também ali que surgiu o termo “bica”, que, segundo uma das versões mais populares, viria da expressão “beba isto com açúcar”, usada para tornar o café mais agradável ao paladar da época. Desde os primeiros anos, A Brasileira tornou-se ponto de encontros, tertúlias e debates, integrando a vida artística e literária de Lisboa e sendo, inclusive, um dos espaços ligados ao surgimento da revista Orpheu, em 1915.

Yeda Saigh
O café foi frequentado por nomes centrais da cultura portuguesa, como Fernando Pessoa que foi eternizado ainda pela sua estátua na porta do local, que transforma o café em parada obrigatória para quem deseja vivenciar a alma boêmia, literária e cosmopolita do Chiado. Após essa parada de lá caminhamos mais um pouco e seguimos até a Livraria Bertrand.

Yeda Saigh
À noite, jantamos no JNcQUOI Asiático, ótimo como sempre.
Visitar o novo Museu dos Coches vale a pena: seu acervo reúne veículos ricamente ornamentados que pertenceram à Casa Real portuguesa, ao Vaticano e a outras cortes europeias, revelando o luxo, a simbologia do poder e o requinte artístico da época. Sua nova sede foi projetada por Paulo Mendes da Rocha. Achei o prédio moderno demais para abrigar carruagens — no museu antigo, o conjunto parecia mais harmônico.

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De lá fomos almoçar no Magano, indicado por um amigo, e gostamos muito. É um restaurante onde só vão portugueses, não vi nenhum turista. O melhor do Alentejo no coração de Lisboa. Da Serra de S. Mamede às planícies do Baixo Alentejo, do Vale do Guadiana à Costa Vicentina, uma viagem gastronómica ímpar onde os melhores ingredientes são trabalhados com mestria para proporcionar ao seu palato uma experiência inesquecível.

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À noite, jantamos no Gambrinus, restaurante tradicional que existe desde 1.936!!Referência no centro da capital portuguesa, com um ambiente de conforto e elegância, avós de hoje transmitem aos filhos e netos o “hábito do Gambrinus”. Situado em plena Baixa Lisboeta, tem sido palco de importantes acontecimentos sociais, políticos e económicos da cidade. Em 1964, foi remodelado e ampliado pelo arquiteto Maurício de Vasconcelos, passando a receber o estatuto de Restaurante de luxo que se mantém até hoje.

Yeda Saigh
Último dia de Lisboa. Traslado ao aeroporto no carro do hotel. O aeroporto estava lotado; o voo atrasou uma hora. Embarcamos pela Air France para Paris, em um voo de duas horas e meia.
Para finalizar um pensamento do grande pensador português Fernando Pessoa:
“Para viajar basta existir.
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.”
Boa Viagem!!!