Paris é uma das minhas cidades preferidas — esta viagem começou com um olhar privilegiado, a partir de um apartamento alugado na Rue de Varenne, em St Germain onde se encontram cafés locais, boulangeries, boutiques charmosas, não esquecendo o Museu Rodin que fica na mesma rua.
Saímos de Lisboa e chegamos a Paris em um voo tranquilo, com duração de cerca de duas horas e meia. Alugamos um apartamento do Charlô, muito confortável, com uma vista ampla e desimpedida para os jardins do Palais Matignon.

Foto Yeda Saigh
A localização do apartamento é excelente: fica na Rue de Varenne, cercada por cafés e pequenos restaurantes de bairro, simpáticos e discretos, com uma culinária francesa autêntica, frequentados quase exclusivamente pelos moradores da região.

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O Palais Matignon, por sua vez, é a residência oficial do Primeiro-Ministro da França. Construído no século XVIII, o edifício combina elegância arquitetônica com um jardim privado maravilhoso, único em Paris.

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Jantamos na brasserie do hotel Le Bristol, o 114 Faubourg, premiado com uma estrela Michelin no Guia de 2025 e considerado um dos endereços gastronômicos mais emblemáticos de Paris. Sob o comando do chef Vincent Schmitt, o restaurante apresenta clássicos da culinária francesa executados com precisão, acompanhados por uma carta de vinhos excepcional — e a experiência à mesa confirmou plenamente sua reputação.

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Fundado em 1925, o Le Bristol Paris é um dos hotéis de luxo mais tradicionais da cidade e tem na gastronomia um de seus maiores destaques. Além do 114 Faubourg, abriga o renomado Epicure, detentor de três estrelas Michelin, onde a alta cozinha francesa ganha expressão máxima sob a assinatura de chefs consagrados como Éric Frechon, em um ambiente sofisticado no coração de Paris.

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O café da manhã foi no Café Varenne, próximo ao apartamento, frequentado quase exclusivamente por franceses. Em frente, uma boulangerie excelente, chamada Secco, completava o cenário típico do bairro.
Para o almoço, escolhemos o Les Deux Magots, café-restaurante icônico de Saint-Germain-des-Prés, historicamente associado a intelectuais e artistas como Hemingway e Sartre. Com ambiente Art Déco, pratos tradicionais da culinária francesa e um agradável terraço para observar o movimento do bairro, o local tornou-se um verdadeiro símbolo cultural de Paris. Curiosamente, existe também uma filial em São Paulo, que busca recriar a atmosfera parisiense original, mantendo o mesmo charme e um cardápio clássico.

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Curiosidade
Mais de 140 anos reinventando o mundo no Deux Magots, uma história que continua. As pequenas e as grandes histórias são escritas à mesa do Deux Magots desde 1884.
Aqui se cruzam visitantes de um dia, frequentadores fiéis e figuras lendárias que moldaram os movimentos culturais e artísticos de ontem e de hoje. Em 1892, Verlaine e Rimbaud tomam lugar à mesa do café-licorista. Entre nuvens de absinto e tabaco, a poesia moderna irrompe. Breton, Aragon e seus companheiros surrealistas fervilham de criatividade, enquanto Hemingway divide sherries secos com James Joyce e a Geração Perdida. Pablo Picasso encontra Dora Maar, cativado por essa desconhecida impetuosa. Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre afiam suas penas existencialistas.
As décadas passam, as épocas mudam, mas a alma do Deux Magots permanece. Os jovens Lennon e McCartney compartilham um café com algumas moedas antes da glória; Juliette Binoche recita alguns versos de Apollinaire para a assistência, e David Lynch desenha nos guardanapos de papel com sua filha.
Desde 1933, o Prêmio dos Deux Magots perpetua essa tradição de vanguarda, recompensando a cada ano uma escrita audaciosa, longe dos caminhos já batidos.
Em seguida, passeamos pelo bairro, aproveitando o clima agradável. Entramos na igreja de Saint-Germain-des-Prés para rezar, a mais antiga de Paris, originada de uma importante abadia beneditina fundada no século VI pelo rei Quildeberto I. Ao longo dos séculos, o complexo monástico tornou-se um centro religioso fundamental e deu origem ao próprio bairro. A igreja atual, remanescente da antiga abadia, preserva traços marcantes da arquitetura medieval e permanece como um testemunho histórico que sobreviveu a saques, transformações e reconstruções, mantendo viva sua ligação com a história da França e de Paris.

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Visitamos ainda a loja Fabrice, uma charmosa boutique de bijuterias de fantasia no coração do bairro, conhecida por suas criações autorais e delicadas.

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No dia seguinte, almoçamos no restaurante Les Ambassades, na própria Rue de Varenne; uma excelente surpresa: cozinha tipicamente francesa, ambiente discreto e praticamente sem turistas.

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À tarde, seguimos para o Lido, endereço histórico do entretenimento parisiense na Champs-Élysées, que ao longo das décadas se reinventou sem perder seu prestígio.
Ali assistimos ao musical Les Demoiselles de Rochefort, adaptação vibrante do filme homônimo de 1967, dirigido por Jacques Demy — um dos grandes nomes do cinema francês, conhecido por transformar musicais em obras visualmente marcantes e sofisticadas. No palco, música, cor e movimento recriavam o charme clássico do cinema francês, agora transposto para uma encenação contemporânea.

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Caminhar pela Champs-Élysées foi, como sempre, uma experiência deliciosa, entre vitrines, movimento e a atmosfera inconfundível da avenida.

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Fomo a loja Hermès, que é simplesmente deslumbrante!!

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No dia seguinte, almoçamos no Le Récamier, conhecido por seus suflês — que, de fato, estavam excelentes.

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Jantamos no Zefferino, restaurante italiano, comida de Gênova, região da Ligúria, onde a comida estava ótima!! O melhor sorvete de pistache que já comemos, pois é feito na hora.

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Visitamos a Fondation Cartier, agora instalada no Palais-Royal, em um edifício histórico inteiramente renovado por Jean Nouvel. A exposição, que celebra os 40 anos do acervo da instituição, estava espetacular.

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O Palais-Royal é um dos conjuntos históricos mais elegantes de Paris, construído no século XVII e profundamente ligado à vida política, cultural e social da cidade. Seus jardins geométricos, as galerias com cafés e livrarias e as icônicas colunas de Daniel Buren criam um espaço onde história, arte e o cotidiano parisiense convivem de forma singular.
À noite, jantamos no Lapérouse, restaurante histórico fundado em 1766, ainda no reinado de Luís XV. A frequência deixava a desejar, mas o jantar foi bastante satisfatório.
Na manhã seguinte, visitamos a Bourse du Commerce, belíssimo edifício do século XVIII que passou de mercado de grãos a bolsa comercial. Recentemente restaurada, abriga hoje a Coleção Pinault, estabelecendo um diálogo sofisticado entre arquitetura clássica e arte contemporânea.
A Bourse de Commerce, em Paris, é um edifício histórico do século XVIII que passou de mercado de grãos a bolsa comercial. Recentemente restaurada, abriga a Coleção Pinault, unindo arquitetura clássica e arte contemporânea no coração da cidade.

Foto Yeda Saigh

Foto Yeda Saigh e Fondation Pinault
Em cartaz, uma excelente exposição de Lygia Pape, artista brasileira nascida em 1927, cuja obra transita pela gravura, escultura, pintura, design, cinema e multimídia, sendo uma das figuras centrais do movimento neoconcreto.

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Almoçamos no Halles aux Grains, restaurante simpático instalado na Bourse du Commerce, com vista privilegiada para o espaço monumental do edifício.
Fomos jantar no Kinugawa, instalado no Hôtel de Saxe, recém inaugurado, um endereço que combina elegância contemporânea e localização privilegiada.

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O restaurante, conhecido por sua cozinha japonesa de alto padrão com influência francesa, tem atmosfera sofisticada e animada, além de uma vista direta para a Torre Eiffel — um daqueles cenários tipicamente parisienses que transformam o jantar em experiência.
Passear pelo bairro de Marais é um deleite!! Situado no coração histórico de Paris, o bairro Le Marais (o pântano) era uma zona pantanosa antes se tornar um dos distritos mais cosmopolitas e da moda de Paris. No séc XVII o terreno foi drenado e começou a ser ocupado, só se tornando o que é hoje no século XX. Caminhamos por ruas que concentram algumas das camadas mais antigas e vibrantes de Paris. Passamos pela Muji, marca japonesa reconhecida mundialmente por seu design minimalista e funcional, quase um manifesto estético do “menos é mais”,

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Fizemos uma visita ao Museu Carnavalet – instalado em um antigo hôtel particulier, o museu é inteiramente dedicado à história de Paris e permite compreender a cidade a partir de seu cotidiano, de suas transformações urbanas e de seus personagens.

Fonte Yeda Saigh
Em seguida, almoçamos no Atelier Robuchon, onde a cozinha aberta e o balcão aproximam o comensal do gesto culinário — uma experiência gastronômica que carrega o legado de Joël Robuchon, um dos chefs mais premiados da história da alta gastronomia.

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Jantamos no Fontaine de Mars, bistrô tradicional fundado no início do século XX, de atmosfera clássica e sem afetações, onde a cozinha francesa pode ser apreciada.

Fonte Yeda Saigh
O Museu Guimet, ou Museu Nacional de Arte Asiática, é um museu de Paris dedicado à preservação, estudo e divulgação de um vasto acervo de arte, arqueologia e etnografia do Oriente, valeu a pena a visita!

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Almoçamos no La Table, dentro do Le Bon Marché — ambiente agradável, público interessante e um ótimo lugar para acompanhar o movimento do grande magazine. Fundado no século XIX, o Le Bon Marché é o mais antigo grande magazine de Paris e um ícone da vida urbana da cidade. Pioneiro no conceito de loja de departamentos, combina arquitetura elegante, curadoria refinada e tradição, sendo referência em moda, design e gastronomia.

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Visitamos o Institut du Monde Arabe e vimos uma exposição dedicada a Cleópatra, mostra visualmente muito bonita, com filmes e recursos audiovisuais especialmente interessantes.

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O Institut du Monde Arabe, em Paris, é um dos mais importantes centros culturais dedicados à história, à arte e ao pensamento do mundo árabe. Inaugurado em 1987 e projetado por Jean Nouvel, o edifício tornou-se um marco da arquitetura contemporânea, especialmente por sua fachada composta por moucharabiehs metálicos que regulam a luz de forma inovadora. Além de exposições temporárias e permanentes, o instituto abriga biblioteca, auditório, restaurante panorâmico e promove debates, concertos e encontros culturais, funcionando como um espaço de diálogo entre culturas e tradições.

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Para terminar um pensamento do grande escritor francês Marcel Proust:
“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens e sim em ter novos olhos.”