Mendoza – Adega da Argentina

Mendoza é uma cidade pitoresca e muito diferente de quase tudo que temos na América do Sul. Situada no oeste da Argentina, nas bordas da Cordilheira dos Andes, é a capital e maior cidade da província de mesmo nome e um importante polo de produção de vinho e de azeite. Abriga 70% das vinícolas da Argentina e, por isso, tem o apelido de “Adega da Argentina” – ocupa o honroso quinto lugar no mundo em produção de vinhos. Os outros 30% estão no norte (Salta, Rioja e San Juan) e na Patagônia, no sul (Neuquen e Rio Negro). A casta (variedade de uva) mais plantada é a
Malbec. Prepare-se para uma viagem enogastronômica.

Foto 1 - Parreiras em época de colheita
Parreiras em época de colheita – Foto Yeda Saigh

São cerca de 1.220 bodegas que produzem 1 bilhão de litros por ano! Dentre elas, mais de 100 vinícolas estão preparadas para receber visitantes. 

A melhor época para visitar os vinhedos é entre novembro e abril. Março é o período da vindima (colheita de uvas) e tanto a cidade como a vinícolas fazem uma grande festa. 

Foto 2 - Festa da Vindima
Festa da Vindima – Foto Yeda Saigh

Interessante notar que nesta região o índice de chuva é apenas de 300 milímetros por ano, o que é considerado insuficiente para qualquer atividade agrícola. A irrigação das vinhas é feita por gotejamento ou alagamento pelas geleiras da Cordilheira dos Andes.

Muitas vinícolas também produzem azeite e é muito bonito ver as vinhas ao lado das oliveiras.

Foto 3 - Vinhas e Oliveiras
Vinhas e Oliveiras – Foto Yeda Saigh

Outra observação importante: o consumo do vinho cresceu muito nos últimos anos no mundo todo, o que fez com que a produção também aumentasse. Pudemos observar isso na nossa visita: muitas vinícolas novas se estabeleceram por lá. Espanhóis, franceses e americanos compraram vinícolas que já produziam vinho e procuraram melhorar a qualidade da bebida e, sobretudo, aumentaram a produção. A maioria veio em 2001, quando a Argentina estava em crise e compraram terra por um preço muito conveniente. Detalhe: sempre tendo que ter um sócio argentino. 

O Vale do Uco tem o hectare mais caro de todos, pois fica quase no sopé da cordilheira, com solo rico em minerais formado pela erosão das montanhas.

Foto 4 - Bodega Belasco de Baquedano
Bodega Belasco e Baquedano – Foto Yeda Saigh

A infra-estrutura de turismo hoje em Mendoza é muito boa: todas as vinícolas oferecem visitas guiadas, muitas com almoço harmonizado, outras até com cavalgadas. Entre as mais importantes da região estão: Catena Zapata, Benegas, Clos de los Siete e Vinícola Salentein. 

Fizemos todo o roteiro acompanhado por María José Machado, proprietaria e guia da Empresa de Turismo Divinos Rojos,  (info@divinosrojos.com.ar) especializada em enoturismo para brasileiros. Ela nos foi indicada por Tuty (João Carlos Pinheiro), que escreve sobre vinhos no seu blog http://www.colunadotuty.com.br e no site de seu amigo Valter Bernat http://www.oboletim.com.br/vinhos.html. 

Ficamos no Hotel Park Hyatt em Mendoza, nos três primeiros dias.

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Hotel Park Hyatt Mendoza – Fotos Yeda Saigh

O roteiro: no primeiro dia saímos para um tour de vinícolas nas Rotas de Vinho de Lujan de Cuyo e do Valle de Uco. Visitamos a Bodega Salentein, com degustação. Depois continuamos para a Bodega La Azul, com almoço harmonizado. Foi super gostoso.    
http://bodegassalentein.com
http://www.bodegalaazul.com  

Foto 6 - Bodega Salentein
Bodega Salentein – Foto Yeda Saigh

Voltamos para Mendoza e jantamos no 1884 Restaurante, do chef argentino Francis Mallmann, que fica na famosa Bodega Escorihuela, em Godoy Cruz, um bairro a meia hora do centro. Comida maravilhosa!  O restaurante nasceu em homenagem aos vinhos de Mendoza e a cozinha andina em 1996. 
http://www.1884restaurante.com.ar

Foto 7 - Restaurante 1844 Francis Mallmann
Restaurante 184 – Francis Mallmann – Foto Yeda Saigh

No segundo dia, continuamos pela região de Lujan de Cuyo e visitamos a Belasco de Baquedano, que tem uma sala muito interessante onde você pode ver como se fazem as rolhas. 

Foto 8 - Entrada Bodega Belasco de Baquedano
Entrada Bodega Belasco de Baquedano – Foto Yeda Saigh
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Manufatura de rolhas – Foto Yeda Saigh

A Belasco oferece também outro atrativo que quase nenhuma tem: a Sala de Aromas (com mais de 45 aromas), única na América do Sul, segundo nossa guia e uma referência para muitos enólogos de prestígio. É uma sala muito bonita e bem decorada. Delicioso cheirar os vidrinhos e descobrir os diferentes aromas. Por exemplo: canela, limão siciliano, framboesa… 

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Sala de Aromas – Bodega Belasco de Baquedano – Fotos Yeda Saigh

Todos os tonéis da bodega são de carvalho francês e lindos. O espanhol Belasco de Baquedano comprou essa vinha em 2008 e investiu fortunas para deixá-la como está, impecável. http://www.belascodebaquedano.com 

De lá, fomos para a Bodega Dominio del Plata, onde almoçamos – cinco pratos harmonizados com vinhos. A comida era divina e o melhor vinho, para nós, foi o Crios Malbec 2013. http://www.dominiodelplata.com.ar 

Foto 11 - Bodega Dominio del Plata
Bodega Dominio del Plata – Fotos Yeda Saigh

Na volta, visitamos o hotel Entre Cielos, no meio da vinhas, muito simpático. Inspirado pela beleza natural da região, “Entre Cielos” está situado ao pé da espetacular Cordilheira dos Andes, cercado de vinhedos que produzem um dos melhores vinhos Malbec do mundo. Integrante da rede Small Luxury Hotels, tem design e arquitetura modernos e um spa incrível. Seu restaurante Katharina tem fama na região. 
http://www.entrecielos.com 

Foto 12 - Hotel Entre Cielos
Hotel Entre Cielos – Foto Internet

Novamente em Mendoza, jantamos no restaurante do nosso hotel, Park Hyatt, que recomendo bastante. Imperdíveis nesta viagem, aliás, são as empanadas mendocitas, especialidade de Mendoza.  

Terceiro dia: fomos visitar a Vinícola Viña Cobos, com degustação, e seguimos para a Bodega Ruca Malen, para um almoço harmonizado em cinco passos, com vinhos e bebidas. A vinícola iniciou seus trabalhos em 1998 a partir de um encontro entre Jean Pierre Thibaud (ex-presidente de Bodegas Chandon Argentina) e Jacques Louis Montalambert. 
Curiosidade: seu nome foi escolhido para homenagear um mito da região, uma lenda Mapuche.
http://www.vinacobos.com/pt/vinicola 
http://www.bodegarucamalen.com 

Foto 13 - Bodega Ruca Malen
Bodega Ruca Malen – Foto Yeda Saigh

No quarto dia, visitamos uma das bodegas mais importantes de Mendoza, a Catena Zapata. Desde 1902, a família Catena está no comando desse negócio de grande sucesso que se tornou um dos maiores vinhedos da região de Agrelo e da Argentina. Vale muito a pena a visita!
http://www.catenawines.com/pt/ 

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Bodega Catena Zapata – Fotos Yeda Saigh

De lá mudamos para o Cavas Wine Lodge Mendoza – um Relais & Chateaux em Lujan de Cuyo. É super bonito! Os bangalôs ficam no meio das vinhas e têm vista espetacular para a Cordilheira dos Andes, um pôr-do-sol incrível e um céu estrelado à noite. A sede é muito chique. Restaurante ótimo, recomendo ir lá almoçar ou jantar. 
http://www.cavaswinelodge.com 

Foto 15 - Hotel Cavas Wine Lodge
Hotel Cavas Wine Lodge – Fotos Yeda Saigh
Foto 16 - Hotel Cavas Wine Lodge
Hotel Cavas Wine Lodge – Foto Yeda Saigh

Curiosidade
No Vale do Uco, a Bodega O. Fournier, fundada em 2000 pelo espanhol Jose Manoel Ortega, produz quase 2 milhões de garrafas por ano, mas o que é mais interessante: vende lotes de vinhedos para aqueles que querem produzir o seu próprio vinho. Segundo ele, 80% dos que compraram são brasileiros. O mais legal da ideia é que a bodega faz toda a plantação, a colheita, o blend do seu vinho e o rótulo. O preço do lote: US$ 150 mil. Nos mesmos moldes, grande novidade nessa região, The Vines of Mendoza é um projeto americano (sócio argentino) para vender vinhas a estrangeiros. Lá está outro restaurante de Francis Mallmann, o Siete Fuegos, e um resort que faz parte da Leading Hotels of the World. 
http://www.ofournier.com 
http://www.vinesresortandspa.com

Boa Viagem!


Para terminar: 

Não há nada melhor do que uma generosa taça de um bom vinho, não é mesmo?  

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