Inhotim: é lindo, diferente, bem cuidado e é no Brasil

Bernardo Paz e Yeda Saigh
De onde vem esse nome?
Um fazendeiro inglês dono da fazenda hoje conhecida como Inhotim, chamava-se Timothy. A partir daí começaram as inevitáveis corruptelas de pronúncia, tão comuns até os dias de hoje, entre os habitantes do interior do Brasil. Senhor Timothy foi logo transformado em “Nhô Tim”, devido a dificuldade de pronunciar corretamente tanto “Senhor” em português[Nhô], quanto em inglês, “Timothy” [Tim].
O Instituto Inhotim é um complexo museológico original, constituído por uma sequência não linear de pavilhões em meio a um parque ambiental. Suas ações incluem, além da arte contemporânea e do meio ambiente, iniciativas nas áreas de pesquisa e de educação: tem também um programa de inclusão e cidadania.
É um lugar de produção de conhecimento, gerado a partir do acervo artístico e botânico.
Criado em 2005, Inhotim é uma entidade privada, sem fins lucrativos e qualificada pelo Governo do Estado de Minas Gerais como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).
Localizado em Brumadinho, a 60 quilômetros da capital mineira, possui um importante acervo de arte contemporânea e uma extensa coleção botânica. Em Inhotim, o meio ambiente convive em interação com a arte, e são o ponto de partida para o desenvolvimento de ações de caráter sócio-educativo nas mais diversas áreas.
Bernardo Paz, 59, milionário do setor de mineração e siderurgia, começou a ganhar projeção no meio das artes no início dos anos 2000, quando se tornou um comprador agressivo de obras, com vistas a criar seu inusitado museu.
A ideia ganhou corpo depois que ele, em 1995, aos 45 anos, sofreu um derrame, em Paris […] “Eu realmente vi que as pessoas morrem e fiquei com a sensação clara de que aquele não era mais meu caminho.”
Paz percebeu que os 40 hectares de Inhotim eram propícios a abrigar grandes instalações em meio à natureza –um tipo de obra que poderia ser adquirida a preços atraentes, por ser de difícil comercialização. “Naquela época eu ainda não sabia se ia conseguir”, diz.
Inhotim é um lugar imperdível para se visitar. Jardins maravilhosos inspirados em Burle Marx (SP, 1904 – RJ, 1994), com um pequeno jardim feito por ele mesmo e obras contemporâneas espalhadas ao longo desse magnífico parque. Quando fui escrever esse artigo em pesquisa na Internet me espantei com a quantidade de sites em inglês a respeito desse grande empreendimento de Bernardo Paz: mereceria um prêmio pela obra que fez e está fazendo.
Quando se visita um museu norte-americano vê-se muitas alas com nomes de pessoas que, através de doações, propiciaram a criação das mesmas. Aqui não temos muito esse hábito e seria muito importante para nós começarmos a ter esse tipo de atitude entre as pessoas de posse (só vemos esse tipo de atitude aqui em hospitais).
No dia que estive em Inhotim havia várias escolas com crianças visitando o local. São mais de 600 empregados e tudo é impecável. Bancos de madeira feitos pelo artista Hugo França espalhados ao longo dos caminhos, cada um com uma lata de lixo ao lado, mostram o capricho com que tudo foi feito. Um restaurante ótimo, com uma comida maravilhosa. No dia de minha visita, Bernardo Paz estava sentado numa das mesas e pudemos conversar longamente. Ele é muito disponível para contar tudo o que fez e também para falar sobre seus projetos para o futuro, que são incontáveis. É um homem muito bonito e charmoso, deu para entender porque já casou seis vezes. Se tivéssemos mais tempo ficaríamos conversando com ele horas!!!!
Pretende fazer, entre outras coisas, um hotel que será muito útil para os visitantes (o parque é muito grande e apesar de termos chegado às 10h30 da manhã e saído às 16h30, não deu para visitar tudo). Contou-nos também que pretende transformar o parque em um Jardim Botânico, brincando me disse que já tem um “curador” botânico que o está ajudando a concretizar esse novo sonho.
Com um acervo de, aproximadamente, 500 obras de mais de 100 artistas, a coleção de Inhotim vem sendo formada desde meados de 1980, com foco na arte produzida internacionalmente nos anos 1960 até os nossos dias. Pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e instalações de renomados artistas brasileiros e internacionais são exibidos em galerias espalhadas pelo parque botânico.
Pavilhões abrigam exposições permanentes de Tunga e Cildo Meireles. Em março de 2008, foram inauguradas duas novas galerias, uma dedicada a obras da artista Adriana Varejão e a segunda para abrigar o trabalho Neither (2004), da artista colombiana Doris Salcedo.
Uma das obras que me chamou a atenção: em uma montanha, dentro de uma construção redonda, foi feito um buraco para revelar o que sempre foi uma das grandes curiosidades do ser humano, os sons que vêm do centro da Terra.
A obra de arte demorou cinco anos para ficar pronta. Foi feita com aço, vidro e pedras. Bem no meio da instalação, está o buraco que liga a superfície às profundezas do planeta. Os sons que vêm debaixo saem amplificados em alto volume em caixas. O barulho é captado 24 horas por dia e muda a todo instante. Para o organizador da exposição, as variações do som levam a uma conclusão: a Terra fala. A invenção é do premiado artista americano Doug Aitken, que tem outras obras espalhadas pelo mundo, como “Sleepwalkers”, “Os Sonambulos” exibido na fachada do Museu de Arte Moderna de Nova York, dois anos atrás. A de Minas Gerais foi batizada com o nome de “Som da Terra”.
Como chegar de carro, de São Paulo: BR381 para Brumadinho, saída Mário Campos (mais ou menos 500 kms). Desta saída na BR381 até Mário Campos são cerca de 7 kms. De Mário Campos a Brumadinho/Inhotim, cerca de 15 kms.
De Belo Horizonte sair rumo a Betim pela BR381. Pegar a saída 490 para Mário Campos. Desta saída até Mario Campos são cerca de 7 kms e dali até Brumadinho/Inhotim mais 15 kms.
Uma outra maneira de ir, por mim escolhida, foi de avião de São Paulo até Belo Horizonte (1h10), hospedar-se na capital mineira (uma vez que ainda não há local para se hospedar em Inhotim) e pegar um transfer de Belo Horizonte para lá. O grupo com o qual estive em Inhotim foi organizado por Clóvis França (clovisfranca@gmail.com).
Um conselho: vá de tênis e com uma roupa bem confortável para poder aproveitar bem o seu passeio. Não deixe de entrar na lojinha que tem compras ótimas!
Boa viagem!!!
Endereço: Inhotim – Rua B, 20, Inhotim, Brumadinho, 35460-000, MG, Brasil
Horário: Quinta e Sexta 9h30 às 16h30. Sábados, Domingos e Feriados de 9h30 às 17h30.
Link de contato – http://www.inhotim.org.br

Colaboradora: Virginia Figliolini Schreuders

Confira as fotos


5 comentários em “Inhotim: é lindo, diferente, bem cuidado e é no Brasil

  1. Yeda,
    Adorei! Parabéns – muito bem escrito! E, ainda por cima, acabei de voltar de
    Inhotim deslumbrada. De Natal vou dar de presente aos meus filhos e
    respectivos uma visita a Inhotim, utilizarei seu artigo!
    Beijos e mais uma vez parabéns,
    Giselle G.

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  2. Sou mineira e não conhecia Inhotim. Vivo em Brasília e quando vou pelas Minas é sempre com pressa. Desta vez, não. Desta vez fui conhecer e descansar em Minas. E fui a Inhotim. Quero deixar aqui meu depoimento: é simplesmente fantástico, genial, coisa de doido como se diz. Amantes da natureza, amantes das artes ou amantes de um bom dia de paz, conheçam Inhotim! Depois nos contem!

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