Save the Date – Art Basel Miami I

Uma ótima opção de viagem no mês de dezembro é ir a Art Basel de Miami (Estados Unidos). É divertido, aprende-se muito, toma-se contato com coleções muito importantes internacionalmente, que de outro modo seria difícil até saber que elas existem.

O evento “irmão” norte-americano da exposição/feira Art Basel da Suiça (a mais prestigiada feira de arte mundial dos últimos 40 anos) se realiza anualmente em Miami Beach e é reconhecida como a exposição de arte mais importante no gênero.

Acredito que a crise fez com que as pessoas repensassem seus investimentos financeiros, principalmente os americanos.

Já vinha se instalando esse processo, mas como pudemos ver este ano as vendas tiveram um “boom”.

Em 2009, já em sua oitava edição em Miami Beach, a feira de arte reuniu cerca de 250 das mais prestigiadas galerias de arte de vários continentes (América do Norte e Latina, Europa, Ásia, África e Oriente Médio), exibindo trabalhos de arte dos sécs. XX e XXI, totalizando algo como 2.500 artistas, tanto de renome como de vanguarda.

Representando o Brasil estiveram presentes 12 galerias fortes Vilaça, Casa Triângulo, a Gentil Carioca, Laura Marsiaj, Leme, Luciana Brito, Luisa Strina, Marília Razuk, Millan, Nara Roesler, Raquel Arnaud E Vermelho.

Paralelamente à Art Basel, há grandes novidades sempre presentes na NADA (New Art Dealers Alliance) e na Scope Art Show, feiras paralelas mais consagradas.

A feira Art Basel em Miami Beach é um novo tipo de evento cultural que combina a exposição de arte com um intenso programa de atividades culturais, exposições, festas e eventos multidisciplinares de música, cinema, arquitetura e design.

A exposição acontece no fascinante distrito art deco, próximo à praia, hotéis e restaurantes.

Um dos segmentos mais interessantes desta feira é a visita agendada às maravilhosas coleções de arte particulares. Nesse primeiro artigo vou descrever duas coleções (das quatro visitadas), que tive o privilégio e o prazer de conhecer: a coleção Margulies e a de Rosa e Carlos de La Cruz.

Coleção Margulies

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George Segal – Foto Yeda Saigh

Margulies vem colecionando arte por décadas, de uma forma tão significativa que seu depósito compreende uma área de cerca de 4 mil m2 e se consagrou como um dos pilares da comunidade cultural de Miami.

Margulies conta que depois de conhecer quase tudo sobre arte em New York, foi estimulado a começar a adquirir obras. Ora, segundo ele, ainda faltava amadurecer seu gosto estético, bastante imaturo à época.

É um longo processo adquirir e amadurecer a estética, diz ele.

Executivo da área imobiliária, se interessou a princípio por escultura, e ocorreu-lhe que seria interessante colocar algumas esculturas nesses terrenos vazios.

Foi dessa maneira que começou sua coleção: com esculturas de Kooning, Judd, Flavin, Lewitt e Serra entre outros, e que coloca a coleção de Margulies no mapa internacional de colecionadores conhecidos.

Partiu para a pintura, fotografia, vídeo e instalação e há dez anos, com a curadora Katherine Hinds, abriu o galpão Margulies em Wynwood. “queria abrir minha coleção ao público, à comunidade e aos estudantes para que pudessem participar da arte”.

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Coleção Margulies: Abakanowicz – Foto Yeda Saigh

Hoje em dia sua coleção inclui obras pop, modernas, minimalistas e arte conceitual, 3 mil trabalhos fotográficos, 70 vídeos e numerosas esculturas e instalações, somando tudo mais de 4.500 obras.
Margulies exibiu esse ano uma retrospectiva de 100 anos da fotografia, uma escultura de George Segal e alguns surrealistas.

Margulies não se considera um homem ultra contemporâneo e nem um colecionador de tendências, mas a arte que compra tem que se encaixar no tema de sua coleção. “tenho que gostar e tocar um sino visual”, diz ele.

Acrescentou que durante a feira de Arte Basel pretende comprar mais trabalhos, desde que se enquadre com a sua coleção.

 

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Conversa com Rosa de la Cruz – Foto Yeda Saigh

É uma mulher bonita, chique e muito agradável. Cubana de nascimento, Rosa de la Cruz conhece profundamente sua coleção e estava disponível no sábado de manhã para explicar as obras que compõem seu acervo.

Não tem um curador para a coleção, desempenha ela própria a função de curadora e colecionadora e está particularmente atenta ao trabalho de artistas contemporâneos internacionais.

A cada obra que nos mostra, conta a história do artista que conhece pessoalmente; é muito interessante e um aprendizado muito rico, mesmo para quem está menos habituada a conviver com arte contemporânea.

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Coleção de la Cruz: Sigmar Polke – Foto Yeda Saigh

Para Rosa de la Cruz “lar é onde a ‘arte’ está”; mora entre obras de Sigmar Polke, Jim Hodges, Martin Kippenberger e outros artistas do século 20.

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Para muitos, sua galeria-casa como estilo de vida parece extraordinário, mas para Rosa, é simplesmente uma forma de vida.

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“Muitos visitantes ficam surpresos que meu marido, Carlos e eu, vivamos em uma casa que parece um museu”, diz Rosa. “mas nós usamos esta casa como qualquer casa normal.”

Talvez o caso mais notável seja a festa oferecida nos jardins de Rosa nos últimos anos, justamente para lançar o Art Basel Miami.

Quando os convidados não couberam mais em sua casa (no ano passado), ela mudou-se para um novo galpão localizado no Miami Design District, para onde levou o evento deste ano.

O galpão tem uma arquitetura bem moderna. “não é um museu”, diz ela, é um espaço maior, onde pode finalmente mostrar as obras de arte de sua coleção que estavam a espera de um espaço maior para serem apreciadas. Além de ser um galpão para abrigar sua coleção, Rosa nos contou que realizou um sonho antigo: ter também um centro de estudos aberto a visitas de estudantes que já está funcionando.

“Um dos problemas com a arte contemporânea é que as pessoas não estão habituadas com ela, eu ofereço um serviço que é pessoal, com uma história por trás dele – e não a experiência de um museu. As pessoas que geralmente não estão familiarizadas com arte contemporânea acabam por gostar dela quando saem daqui.”

Rosa e Carlos compraram a casa a beira-mar em Key Biscayne, em 1982, e durante os últimos 24 anos, acrescentaram diversas alas.

Agora, três casas em uma, a casa galeria chega a quase 1.500 metros quadrados com um quarto e o resto do espaço totalmente dedicado às artes.

Para manter a aparência externa coerente, toda a casa foi pintada de branco, criando uma “tela em branco para a obra de arte dentro”, diz ela. Mas não se preocupem: a casa de Rosa e sua coleção ainda estão abertas ao público, com hora marcada.

Colecionar veio naturalmente a Rosa e Carlos, que viveram na Europa por 10 anos e viajaram avidamente. Assim, quando o casal estabeleceu-se em Miami com seus cinco filhos, e, agora, 15 netos, colecionar arte latino-americana lhes parecia um primeiro passo a seguir.

A pintura de Rufino Tamayo (1953) iniciou a sua paixão, e centenas de peças depois, Rosa diz que ainda se sente aprendendo sobre a arte. “O dia em que eu achar que sei tudo será um péssimo dia”, diz ela com uma risada.

Save the Date para 2.010 e boa viagem!!

Serviço:
Acesse: http://www.artbaselmiamibeach.com

Colaboradora: Virginia Figliolini Schreuders

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