Essa viagem foi especial: é a segunda vez que faço um cruzeiro, o primeiro faz muito tempo e foi no Queen Elizabeth, um dos primeiros navios da cia Cunnard a fazer cruzeiros em 1946!! A primeira vez que ele veio ao Brasil foi em 1968, eu viajei em 1970 e foi inesquecível!
Escolhemos o Seaborn Venture por ser um navio pequeno, somente 264 passageiros e pelo roteiro pelo Mediterrâneo que nos encantou. Saímos de Barcelona, paramos em sete cidades até chegar em Roma.

Foto Internet
O Seabourn foi fundado em 1986 por um pequeno grupo de executivos da hotelaria de luxo, entre eles o industrial norueguês Atle Brynestad e o veterano executivo de cruzeiros Warren S. Titus, com a missão de reinventar o conceito de cruzeiro de luxo. O modelo era a elegância descontraída. Hoje pertence à Carnival Corporation, mas mantém o espírito de pequenos navios, atendimento personalizado, all-suite e atmosfera de clube exclusivo. Foi eleito várias vezes “Best Small-Ship Cruise Line” pela revista Travel + Leisure.

Foto Yeda Saigh
As escolhas de destinos do Seabourn são múltiplas: Alaska, Tokio/Hong Kong, Singapura, Caribe, Cape to Cape, Veneza/Istambul, Mediterrâneo, e vários outros itinerários, cada um com um navio e número de passageiros diferente.

Foto Internet
A organização do navio é espetacular. Tivemos todos os traslados feitos pelo Seaborn, desde o aeroporto de Barcelona até o aeroporto de Roma. Recomendo escolher os tours com antecedência pelo site do Seabourn — caso contrário, corre-se o risco de ficar sem lugar. Reservei tudo antes da viagem e funcionou lindamente.
O serviço a bordo é simplesmente impecável. A cabine recebe arrumação duas vezes ao dia e a roupa de cama é trocada diariamente. Há ainda um funcionário designado a cada cabine, que faz questão de passar todos os dias para se certificar de que nada falta aos hóspedes. Esse mesmo padrão de excelência é visível em cada detalhe do funcionamento do navio.

Foto Yeda Saigh
Ao meio-dia, o traslado do Seabourne passou no hotel para nos buscar. Após embarcarmos no cruzeiro, almoçamos no buffet Colonnade, e, à noite, jantamos no restaurante mais sofisticado do navio “The Restaurant”— sempre animado e com todas as mesas ocupadas.
Primeira Parada: Palamós – Costa Brava
Uma charmosa vila de pescadores na Costa Brava espanhola, conhecida por seu porto pesqueiro tradicional e pelos famosos camarões vermelhos da região.

Foto Yeda Saigh
Nesse primeiro tour visitamos as vinhas Mas Oller, em Torrent: fomos muito bem recebidos, e nos ofereceram uma degustação de vinhos e aperitivos deliciosos, servidos embaixo das árvores.

Foto Yeda Saigh

Foto Yeda Saigh
De lá fomos ao Castelo de Púbol, presente de Salvador Dali para sua esposa Gala em 1969. Ela só aceitou o presente com uma condição; que se ele quisesse visitá-la, teria que avisá-la por carta três dias antes.
A visita ao castelo foi bem interessante — percorremos todos os seus ambientes e mergulhamos um pouco na história do lugar.

Foto Yeda Saigh
Curiosidade
Após a morte de Gala, em junho de 1982, Dalí mergulhou numa depressão profunda e refugiou-se no Castelo de Púbol. Na madrugada de 30 de agosto de 1984, porém, um incêndio deflagrou no quarto em que dormia.
As circunstâncias nunca foram totalmente esclarecidas e várias hipóteses foram avançadas: uma tentativa de suicídio do próprio artista, um atentado por parte de um empregado movido pela cobiça, ou simples negligência.
Depois do incidente, Dalí nunca mais regressou a Púbol. Instalou-se na Torre Galatea, em Figueres, onde viveu até falecer, a 23 de janeiro de 1989, vítima de insuficiência cardíaca. Foi sepultado numa cripta sob o palco do seu Teatro-Museu, na mesma cidade — separado de Gala, contrariando assim o desejo original do casal de repousar lado a lado. No Castelo de Púbol existem, de fato, duas criptas: uma destinava-se a Dalí, mas permanece vazia até hoje.

Foto Yeda Saigh
De volta ao navio, almoçámos um cachorro-quente à beira da piscina — simples, mas delicioso. Às 18h30, fomos recebidos pelo capitão num coquetel especial. A seguir, assistimos a um concerto da CH2 Guitar Duo, formada por Corneille Hutten e Christiaan Jacobsz, considerados dois dos guitarristas mais rápidos do mundo, ambos chegaram, inclusivamente, a deter recordes mundiais de velocidade na guitarra acústica.

Foto Yeda Saigh
Segunda parada: Sète – Riviera Francesa
Saímos de manhã com o chef de cozinha do navio para fazer compras no mercado da cidade —Les Halles de Sète, famoso pelos frutos do mar fresquíssimos, especialmente as ostras da Lagoa de Thau. Programa bem interessante e original, acompanhar quem realmente entende escolhendo os ingredientes do dia.

Foto Yeda Saigh
Conhecida como a “Veneza do Languedoc”, Sète é uma cidade portuária pitoresca no sul da França, cortada por canais e situada entre o Mar Mediterrâneo e a Lagoa de Thau. Fundada em 1666 por ordem de Luís XIV para servir como saída marítima do Canal du Midi, é hoje o maior porto pesqueiro do Mediterrâneo francês — e terra natal do poeta Paul Valéry e do cantor Georges Brassens.
Voltamos ao navio para almoçar na piscina e descansar. À tarde, retornamos à cidade para passear pelas lojinhas e cafés à beira dos canais, observando o vai e vem dos barcos de pesca pelas pontes. À noite, jantamos num restaurante de sushi no nono andar do navio e assistimos um espetáculo de Matt Daniel-Bake, artista de classe mundial, conhecido por aliar leitura mental, humor afiado e um carisma envolvente. Foi uma experiência interativa, repleta de momentos surpreendentes e de números que deixaram a plateia sem palavras. Incrível! — leu a mente de vários passageiros, parecia um verdadeiro milagre, ótimo!

Foto Yeda Saigh
Terceira Parada: Sanary-sur-Mer
Sanary-sur-Mer é uma comunidade francesa localizada na região da Provença-Alpes-Costa Azul, mais conhecida como Riviera Francesa. O vilarejo nasceu como uma pequena vila de pescadores chamada “Sant Nazari” em provençal, nome que com o tempo se contraiu para “Sanàri”. Conquistou sua independência da vizinha Ollioules por decisão de Luís em 1688 e, recebeu oficialmente o nome afrancesado “Sanary” em 1890, e só em 1923 ganhou o complemento “sur-Mer”.

Foto Yeda Saigh
Talvez o aspecto mais marcante da história seja seu papel como refúgio de intelectuais alemães que fugiam do nazismo. Entre 1933 e 1942, Sanary abrigou grandes nomes da cultura germânica, como Thomas Mann, Heinrich Mann, Klaus Mann, Erika Mann, Lion Feuchtwanger, Arnold Zweig e Franz Hessel. No início dos anos 1940, cerca de 400 refugiados alemães e austríacos se estabeleceram no Var fugindo do regime nazista, e muitos deles permaneceram na região após o fim da guerra. A cidade também tem uma conexão literária anterior com a língua inglesa: foi em uma casa próxima a La Gorguette, em Sanary, que Aldous Huxley escreveu “Admirável Mundo Novo”.
Fizemos um passeio por Cassis, outra joia. O trajeto até lá é magnífico, com vistas deslumbrantes do alto da montanha. Descemos até ao porto, passeámos pela vila e aproveitamos para fazer algumas compras. Valeu mesmo a pena! Cassis é famosa pelo porto ladeado de casas coloridas, e mundialmente reconhecida pelas suas paisagens naturais deslumbrantes, em especial as imponentes falésias e os calanques que recortam o litoral. Na época romana, o lugar era conhecido como Carsiicis portus.

Foto Yeda Saigh
Além da beleza natural, Cassis distingue-se pela produção vinícola — sobretudo de vinhos.. Não é por acaso que o turismo é hoje uma das principais atividades económicas. O lema provençal da cidade, atribuído ao poeta Frédéric Mistral, sintetiza bem o seu encanto: “Qu a vist Paris, se noun a vist Cassis, n’a rèn vist” — “quem viu Paris e não viu Cassis, não viu nada”.

Foto Yeda Saigh

Foto Yeda Saigh
O Castelo de Cassis, hoje um hotel de 5* é um testemunho de séculos de história. Os proprietários realizaram seis anos de reformas monumentais para apagar o desgaste do tempo e restaurar o Château ao seu esplendor natural, criando um ambiente acolhedor e tranquilo.
Curiosidade
A história do Castelo de Cassis remonta ao século V, quando uma simples torre de vigia romana foi erguida sobre a antiga cidade de Carcisis Portus. No século VIII, surgiram as primeiras muralhas fortificadas, e no século XIII a poderosa família Baux expandiu e consolidou o castelo, adicionando torres, um poço, um forno e uma capela.

Foto Yeda Saigh
No século XV, o castelo abrigava até 250 habitantes. Em 1524, soldados do imperador Carlos V atacaram brutalmente o local, destruindo boa parte das defesas. Com o tempo, os moradores abandonaram o castelo pelo vilarejo de Cassis.
Em 1794, o jovem General Napoleão Bonaparte fez uma visita histórica para inspecionar a artilharia. Em 1813, soldados ingleses destruíram essa mesma artilharia. O castelo foi vendido em 1896 a um agricultor particular, e desde então permanece como propriedade privada.
Na volta almoçamos na piscina do navio, muito agradável!!
Quarta parada – Nice
Visitamos Saint-Paul-de-Vence, uma das mais antigas cidadelas medievais da Riviera Francesa, situada no alto de uma colina entre os Alpes Marítimos e o Mediterrâneo, cercada por muralhas do século XVI. No início do século XX, o vilarejo se tornou refúgio de grandes nomes da arte europeia, como Picasso, Matisse, Miró e Chagall.
Fomos também à Fondation Maeght, inaugurada em 1964 por André Malraux, então Ministro da Cultura da França, e primeira fundação privada de arte moderna do país. Criada pelos marchands Aimé e Marguerite Maeght, o espaço conta com projeto arquitetônico de Josep Lluís Sert e obras integradas à estrutura: esculturas de Giacometti, labirinto de Miró, mosaicos de Chagall e uma piscina projetada por Braque. O acervo reúne mais de 13.000 obras.

Fotos Yeda Saigh
A seguir, fomos almoçar no La Colombe d’Or — excelente, e rodeado de arte por todos os lados.

Fotos Yeda Saigh
O Colombe d’Or nasceu em 1920 como um simples café-bar chamado “Chez Robinson”, onde se dançava nos fins de semana. O sucesso levou à expansão do espaço, que foi reaberto como uma hospedaria com três quartos. O ambiente acolhedor e o apreço pelas artes atraíram artistas, e as paredes foram se enchendo de pinturas — muitas trocadas por hospedagem ou refeições.
No pós-guerra, com a chegada de visitantes internacionais, novos proprietários deram continuidade ao legado, encomendando obras como uma cerâmica de Fernand Léger para o terraço. Nas décadas seguintes, Miró, Braque, Chagall, Calder e César foram alguns dos nomes que deixaram sua marca no local.
A coleção segue crescendo: a obra mais recente é uma grande cerâmica do irlandês Sean Scully, instalada na área da piscina. Até hoje, a família Roux mantém o Colombe d’Or fiel à sua tradição.
Passeamos mais pela vila medieval e voltamos para Nice, onde estava nosso navio. Recebemos a notícia de que não iríamos mais a St-Tropez — o vento estava muito forte e perigoso. Ficaríamos um dia a mais em Nice. Jantamos em Nice no restaurante La Petite Maison, famoso por ser frequentado por artistas, comida ótima!

Fotos Yeda Saigh
Depois andamos de táxi pela Corniche, com suas paisagens lindas para o mar, passamos pelo icônico Hotel Negresco e pela parte mais bonita da Promenade des Anglais, a mais famosa avenida da cidade.

Fotos Yeda Saigh
CURIOSIDADES
O Hotel Negresco, inaugurado em 1913, é um símbolo de Nice — facilmente reconhecível pela fachada branca e pela cúpula rosa, classificadas como monumento histórico desde 2003. Foi idealizado por Henri Negresco, um maître que serviu às famílias mais ricas da Europa (incluindo os Rockefeller) e decidiu abrir seu próprio palácio à beira-mar, projetado pelo mesmo arquiteto do Moulin Rouge de Paris. O hotel guarda uma coleção de mais de 6.000 obras de arte e mobiliário raro que atravessam cinco séculos, e já hospedou de Dalí e Grace Kelly aos Beatles, Liz Taylor e Michael Jackson. Tem ainda uma cúpula de vitral assinada por Gustave Eiffel e um lustre encomendado pelo czar Nicolau II.
Já a Promenade des Anglais — carinhosamente chamada de “La Prom” pelos locais — recebeu esse nome em homenagem aos aristocratas ingleses que, no século XIX, passavam o inverno em Nice fugindo do frio. Depois de uma crise econômica em 1821, o reverendo Lewis Way mobilizou seus compatriotas para financiar a construção do passeio à beira-mar — também como forma de gerar empregos para os habitantes locais. A obra foi concluída em 1824 e hoje a avenida se estende por cerca de sete quilômetros ao longo da Baía dos Anjos.

Fotos Yeda Saigh
De volta ao navio, fui ver novamente o show do mágico Matt Daniel Baker — leitor de mentes, muito bom.
No dia seguinte, fomos andar a pé pelo porto, muito bonito. Visitamos a charmosa Igreja da Pesca. No caminho de volta, vi um riquixá e perguntei se algum estava livre — fizemos um delicioso passeio de uma hora por toda Nice: vimos os iates enormes do porto na parte antiga, a Place Masséna, a praça mais central da cidade, e a Praça Garibaldi, com suas simpáticas ruelas ao redor.

Fotos Yeda Saigh
Vale lembrar que Nice nem sempre foi francesa: pertenceu ao Reino da Sardenha até 1860, e essa herança italiana ainda é visível na arquitetura, na culinária e no dialeto local. Não à toa, a Praça Garibaldi homenageia justamente Giuseppe Garibaldi, herói da unificação italiana, nascido em Nice em 1807. Desde 2021, o centro histórico da cidade faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO, reconhecido como um exemplo de “cidade de veraneio de inverno”.
Paramos para comprar a melhor madeleine de Nice na Mellow Madeleine, valeu a pena!!! e voltamos ao navio.

Fotos Yeda Saigh
Aproveitamos a piscina, e jantamos no “The restaurant”.
Quinta Parada – Mônaco
Fizemos um passeio completo por Mônaco — Monte Carlo, vale lembrar, é apenas um dos bairros do principado. Almoçamos no restaurante grego Gaia, uma excelente pedida com presença internacional, com unidades em outros sete países: Dubai, Londres, Saint-Tropez, Bodrum, Doha e Miami.

Fotos Yeda Saigh
Mônaco é o segundo menor país do mundo — atrás apenas do Vaticano — com pouco mais de 2 km² de extensão (uma área menor que a do Central Park, em Nova York). Apesar de minúsculo, o principado é governado pela mesma família, a Casa de Grimaldi, desde 1297, sendo uma das dinastias mais antigas da Europa. A origem do nome vem justamente dessa história: conta a lenda que François Grimaldi se disfarçou de monge (monaco, em italiano) para conquistar a fortaleza, episódio até hoje representado no brasão da família, com dois monges segurando espadas. O atual príncipe soberano é Alberto II, filho da lendária Grace Kelly — a atriz de Hollywood que se tornou princesa ao se casar com Rainier III, em 1956, na Catedral de Mônaco.

Foto Yeda Saigh
O país tem ainda a maior concentração de milionários per capita do mundo (cerca de 30% da população), isenção de imposto de renda, taxa de criminalidade próxima de zero — e curiosamente, os monegascos são proibidos por lei de jogar no famoso Cassino de Monte Carlo, regra criada para proteger a população local. O Casino de Monte Carlo é um complexo de jogos e entretenimento localizado em Monte Carlo, no Principado do Mônaco do século XIX representando uma das mais belas obras da Belle Époque, situado com frente ao Mediterrâneo. O complexo inclui um casino, a Ópera de Monte Carlo, e o escritório do Ballet de Monte Carlo.

Foto Yeda Saigh
O principado abriga também um dos eventos mais icônicos do automobilismo mundial: o Grande Prêmio de Fórmula 1, que toma as ruas da cidade todo mês de maio desde 1929.
Voltamos ao navio para apreciar a piscina e tomar banho, e à noite retornamos para jantar no Em Sherif, restaurante libanês localizado no Hôtel de Paris, no charmoso bairro de Monte Carlo. Foi simplesmente o melhor restaurante libanês que já experimentei: comida refinadíssima, frequência ótima e um hotel deslumbrante. O Em Sherif nos convida a uma verdadeira jornada culinária, onde cada prato é um tributo cuidadosamente preparado à arte da gastronomia libanesa, em uma ambientação única — uma experiência inesquecível do começo ao fim.

Foto Yeda Saigh
O Hôtel de Paris Monte-Carlo é um hotel de luxo localizado na Place du Casino em Monte Carlo. Foi inaugurado em 1864. O hotel já apareceu em diversos filmes, incluindo Confissões de um Trapaceiro (1936), Os Sapatos Vermelhos (1948), Homem de Ferro 2 (2010), Monte Carlo (2011) e dois filmes de James Bond – Nunca Diga Nunca (1983) e GoldenEye (1995).

Foto Yeda Saigh
Os artistas Andy Warhol e Jamie Wyeth tiveram uma exposição conjunta no hotel, organizada pela Galeria Coe Kerr de Nova Iorque, em julho de 1980. Enquanto Warhol estava hospedado no hotel, ele tirou fotos Polaroid do ator Sylvester Stallone para seus retratos em serigrafia . O hotel era um local de filmagem popular para o fotógrafo Helmut Newton
Depois ficamos passeando na praça, cheia de gente, bem animada, com todas as grifes de luxo. Voltamos ao navio.
No dia seguinte, excursão a Èze e à Villa Ephrussi de Rothschild. Èze é uma cidade medieval lindinha, encarrapitada no alto do morro, com muitas escadas! Visitamos o famoso hotel Le Chèvre d’Or.

Foto Yeda Saigh
Depois fomos à casa de Beatrice de Rothschild — uma maravilha. A guia foi excelente e nos contou histórias da família e da própria Beatrice, super interessantes.

Foto Yeda Saigh
CURIOSIDADE
A Villa Ephrussi de Rothschild, também chamada Villa Île-de-France, foi construída entre 1907 e 1912 pela Baronesa Béatrice de Rothschild. Apaixonada por arte e arquitetura, ela descobriu Cap Ferrat em 1905 e adquiriu sete hectares de um promontório rochoso para construir sua villa dos sonhos, inspirada na arquitetura renascentista italiana. Mandou pintar a fachada de rosa, sua cor favorita,

Foto Yeda Saigh
e concebeu o jardim principal como o convés de um navio — exigia inclusive que os jardineiros usassem boinas de marinheiro para reforçar a ilusão.

Foto Yeda Saigh
Reuniu uma coleção extraordinária com móveis do século XVIII, porcelanas raras de Sèvres, tapeçarias dos Gobelins e pinturas de mestres antigos. Sem filhos e após o divórcio em 1904, dedicou-se inteiramente à arte. Em 1933, um ano antes de morrer, doou a villa e toda a coleção — cerca de 5.000 obras — à Académie des Beaux-Arts. Hoje a propriedade tem nove jardins temáticos: francês, espanhol, florentino, lapidário, japonês, exótico, provençal, das rosas e Sèvres.
Voltamos ao navio, piscina, e jantamos no restaurante do Sushi muito bom!!
Sexta parada – Portofino
Fomos de lancha até Portofino, onde chegamos às 10h30 e ficamos até as 16h! A pequenina cidade fica na Riviera Ligure, no noroeste da Itália, província de Gênova. É um pequeno porto natural em forma de ferradura, com casas pintadas em ocre, rosa e amarelo se debruçando sobre o mar — o tipo de paisagem que aparece em cartão postal. Sua fama explodiu nos anos 1950 e 1960, quando virou point de Hollywood — Rex Harrison comprou casa lá, Liz Taylor frequentava, e até hoje Dolce & Gabbana faz desfiles privados na vila.

Foto Yeda Saigh
Passeamos por tudo, fizemos compras, paramos para tomar um vinho com queijo muito gostoso. Depois almoçamos no Hotel Splendido Mare, no restaurante Vittorio, ótimo!

Foto Yeda Saigh
CURIOSIDADE
O Splendido começou como um monastério beneditino do século XVI, tantas vezes saqueado por piratas sarracenos que os monges acabaram abandonando o local. No século XIX foi adquirido pelo aristocrata italiano Barão Baratta, que o transformou em residência de verão. Em 1901, Ruggero Valentini comprou a propriedade e a converteu em hotel, que abriu em 1902. Nos anos 1950, foi descoberto pelos americanos e tornou-se queridinho de Hollywood: Duke of Windsor, Winston Churchill, Clark Gable, Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Ava Gardner, Elizabeth Taylor e Richard Burton estiveram entre seus hóspedes ilustres. Em 1986 o grupo Orient-Express comprou o hotel, que em 2014 passou a se chamar Belmond Hotel Splendido.
Fizemos algumas compras e voltamos ao navio. Jantamos caviar com champagne, delicioso!!
Sétima parada – Portoferraio – Elba
A Ilha de Elba teve em sua história dois personagens muito famosos:
1 – Cosimo de Medici
2 – Napoleão Bonaparte
Saímos para explorar a cidade por conta própria — muito vento, boas lojas e algumas compras. Depois, reencontramos o grupo e seguimos de ônibus até Porto Azzurro, onde passeamos, visitamos uma bela igreja e almoçamos antes de retornar a Portoferraio.

Foto Yeda Saigh
À tarde, continuamos a tour a pé por Portoferraio, cidade pequena com história fascinante. Antes chamada “Ferraia” — nome ligado à exportação de ferro —, foi transformada em praça-forte a partir de 1548 por Cosimo I de’ Medici, que ergueu três fortalezas imponentes (Forte Falcone, Forte Stella e Torre della Linguella) para proteger o porto dos piratas berberes. A estratégia funcionou: em 1553, foi a única cidade do litoral toscano a resistir aos ataques otomanos.
Quase três séculos depois, foi para essa cidade-fortaleza que Napoleão Bonaparte foi exilado, em maio de 1814. Ele escolheu Elba entre as opções de exílio, governou a ilha como um principado independente por cerca de nove meses e, mesmo confinado, reorganizou a administração, melhorou estradas e mandou drenar pântanos. Fugiu em 26 de fevereiro de 1815 para sua tentativa final de retomar o poder — que terminaria em Waterloo.

Foto Yeda Saigh
Sua residência principal, a Palazzina dei Mulini, estava em reforma quando passamos. Já o Teatro dei Vigilanti, construído a pedido de sua irmã Pauline, que achava a ilha entediante, pudemos visitar. Napoleão o ergueu transformando uma antiga igreja num teatro à italiana, financiado pela venda de camarotes às famílias ricas da ilha. Inaugurado em janeiro de 1815, o teatro foi palco do grande baile de Carnaval organizado pela própria Pauline — na véspera da fuga de Napoleão.

Foto Yeda Saigh
De volta ao navio, havia um “farewell cocktail” gostoso, aproveitamos um pouco e, depois fomos comer no restaurante de sushi.
Para terminar um pensamento de Napoleão Bonaparte:
“Há seis anos exatamente, eu cheguei à ilha de Elba. Estava chovendo. Eu me curaria se pudesse sentir aquela chuva novamente.”
Napoleão Bonaparte, pouco antes de morrer em Santa Helena, 1821