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Glamour e Champagne no bar do Hotel 3.14 – Foto Internet
A nossa colaboradora em Paris, Ana Kesselring, e curadora do Taste* na França, fez um ensaio fotográfico na glamourosa Cannes, antes do burburinho do famoso festival de cinema que acontece de 16 a 27 de maio. Seu relato é delicioso, não perca!!
A última vez que fui à Côte d’Azur faz muito tempo. Vivia-se ainda uma época em que nos arrumávamos com capricho para pegar um avião. No vôo que fiz da Varig naquela época, havia mesmo um cavalheiro fumando seu charuto atrás de mim. Muita coisa mudou de lá para cá. O turismo de massa não deixou Cannes nem a Côte d’Azur impunes.
Luxo massificado

O que se encontra hoje na cidade que ficou conhecida, a partir da década de 50, acima de tudo pelo famoso festival, é uma miscelânea divertida de gente de todo tipo. Turistas que buscam um luxo massificado (se é que se pode falar assim), turistas normais, gente que vem passear em Cannes, como os ciclistas que ali estão de passagem, vindos da Itália. Há também muita gente que vem à cidade a trabalho. No feriado em que lá estive, havia, por exemplo, gente de toda parte vinda para comprar séries de TV numa feira de seriados televisivos.

Foto 2 - Hall kitsc-chic do Hotel 3.14
Hall kitsch-chic do Hotel 3.14 – Foto Internet 
La Croisette

Sentar-me na Croisette e observar a diversidade das pessoas que passam, aproveitando o ainda frio sol de primavera, é um passatempo e tanto. Perto do porto, estão ancorados iates enormes e poderosos. Há ali inúmeros prédios muito bonitos e antigos, mas também muitas lojas modernas e edifícios de gosto duvidoso.

Foto 3 - Le grand Hotel
Le Grand Hotel –  Foto Internet
Glamour duvidoso
Na Avenue de la Croisette, o Hotel Carlton domina a cena, com sua elegante construção, ladeado por outros palácios, sempre de estilo glamouroso, construídos na maior parte como residências de verão da aristocracia inglesa. Tal luxo me remete à segunda metade do século XIX, imagino que esse refinamento impregnava a maneira de ser das pessoas de então. Luxo e atmosfera que não encontrei mais quando entrei no hotel, onde tudo parece estar à venda.
Vintage chic

Se esta espécie de sofisticação aristocrática desapareceu, consigo, no entanto, encontrar alguns produtos desse luxo que virou antiguidade na «brocante» (brechós) dentro do Marché Forville, uma espécie de Mercado Municipal, que acontece às segundas-feiras.

Foto 4 - Os deliciosos tomares "Coeur de boeuf".jpg
Os deliciosos tomates “Coeur de boeuf”(coração de boi) no Mercado Forville – Foto Internet
Cristais Baccarat ou Daum, jóias antigas, bolsas Hermès usadas, malas Louis Vuitton que agora são « vintage ». Foi ali que comprei meu par de óculos Christian Dior, da década de 70, que nunca haviam sido usados. É ali também que nos outros dias pude sentir verdadeiros ares da Provence, quando acontece o mercado e nos dias em que flores, frutas, legumes ou deliciosos óleos de oliva e comidas típicas invadem o local. Perto do mercado, perambular nas ruelas mais antigas da cidade para descobrir habitantes que se cumprimentam, é um prazer certeiro. Ouve-se muito italiano, pela proximidade da fronteira.
Amabilidade
O ritmo da vida é agradável: estranho, vinda de Paris, a amabilidade dos vendedores, a falta de pressa na fila do supermercado, a vendedora de guarda-chuva, que faz questão de abrir e fazer uma pequena demonstração, apesar da simplicidade do modelo escolhido. Parece ainda haver uma espécie de «courtoisie» ou de amabilidade perdida na maior parte das grandes cidades.
Invasão estrangeira

Ao final da viagem, uma boa surpresa foi Cap d’Antibes. A cidade é charmosa, pequenininha, não excessivamente turística. Está incrustada a beira do mar, cercada por discretas vilas, chiquérrimas e belíssimas, na sua maior parte agora compradas por russos endinheirados. Sua presença é sempre discreta na pequena cidade, que conta com poucos hotéis e boutiques.

Foto 5 - Entrada do Restaurante Colombe d'Or
Entrada de restaurante Colombe d’Or onde se casaram Yves Montand e Simone Signoret – Foto Internet
Estilo de vida à la française
Se os russos invadiram Cap d’Antibes, estão também muito presentes em Cannes. Aí nota-se, como em toda parte na França, a presença maciça de chineses que, atraídos pelo jeito de viver europeu, procuram integrar o luxo ao seu way of life. E por que não, já que acabo de ler no jornal Libération, existem 63.500 fortunas chinesas que possuem pelo menos menos 13 milhões de euros, gastando 3% de seu dinheiro em produtos de luxo. O chic francês, assim como a própria França, é um produto de exportação muito cotado no mercado internacional.
Hotel Carlton
58 La Croisette
Cannes
Tel: 0800 905 649
Hotel 3.14 Cannes
5 Rue François Einesy
06400 Cannes
Tel: 04 92 99 72 00
*TASTE – Portal de Estilo, Os Destinos Mais Exclusivos, Os Restôs Mais Charmosos,Os Expoentes Da Moda, O Hype Do Design, A Essência Da Arquitetura, A Arte Em Todos Os Sentidos, Taste A Grife de Conteúdo.
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Ana Kesselring
De Paris
Sempre inspirada pela cultura e pelas artes, Ana estudou arquitetura e se formou em Artes Plásticas na FAAP. Trabalhou com design gráfico, criando sua própria empresa, a Caligrama, antes de se tornar artista plástica. Viveu nos EUA, atualmente, mora na França há quase seis anos. Ganhou bolsa da FAAP para ser artista residente na «Cité des Arts» para desenvolver um projeto artístico. Em seguida, obteve o Mestrado em «Arts Plastiques et Nouveaux Médias» na Université Paris VIII. Agora, se lançou em um Doutorado na mesma instituição. Expôs em São Paulo no Centro Maria Antonia, Centro Cultural, MAC/USP e na Galeria Monica Filgueiras, entre outros.
Na França, realizou individual na Cité des Arts e na Galeria Sycomoreart, hoje White Projects. Participa do Paris Art Tours, especializado em mediação cultural, em Paris, com foco em Arte, Cultura, Moda e Design.
 

7 comentários em “Glamour de Cannes, ontem e hoje

  1. Querida Yeda, ontem mesmo eu estava pensando em vc, pois não recebi mais nada de viagens! Ainda bem que veio hoje.
    Kitch pra mim, continua sendo inaceitável! Mas achei engraçado ver a foto.
    Será que não seria bom mencionar que o restaurante Colombe d’Or fica em Saint Paul de Vence? E que o pôr-do-sol visto de lá é o máximo? Ou não é mais?
    Beijão a vc, e parabéns pelo trabalho bonito!

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  2. Obrigada, Yeda pela mensagem! O resultado imediato foi uma vontade enorme de degustar, apreciar
    essas maravilhas. Quem sabe um dia desses faça um roteiro desses.
    Quando tiver outras “reportagens” tão belamente descritas, pode me enviar.
    Um abraço. Maria José

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