Uma viagem pela Índia – parte 3

De volta à Índia

Varanasi, antiga Benares, fica na margem do rio Ganges. Considerada uma cidade santa pelos hindus e janaístas e uma das mais sagradas da Índia pela sua história antiga, cultura e herança religiosa. Os hindus acreditam que morrer em Varanasi lhes garante sua salvação e vida eterna. Sua história e grande importância religiosa é sempre associada com o rio Ganges há milhares de anos.
Os hindus trocaram o nome de Benares para Varanasi depois da libertação dos ingleses, aliás como fizeram com a maioria das cidades da Índia.
Muitos filósofos famosos, poetas, escritores e músicos viveram em Varanasi. Gautama Budha fez seu primeiro sermão em Sarnath, hoje em dia considerada a capital espiritual da Índia, ao lado de Varanasi. A maior universidade da Ásia, Benares Hindu University, está localizada na cidade que também é conhecida como: a cidade dos Templos, a cidade sagrada da Índia, a capital religiosa da Índia, a cidade das luzes, a cidade do ensinamento e a cidade mais antiga da terra.
O centro de Varanasi é movimentadíssimo, as ruas são estreitíssimas com muitos doentes que vão até lá na esperança de se curar vendendo toda espécie de coisas.

Curiosidade –  Quando um vendedor ou pedinte se aproximar oferecendo algo ou pedindo dinheiro não olhe, não diga nada, porque se disser, mesmo que for não, é um sinal de que você olhou e não gostou, então existiu algum interesse. O melhor é a total indiferença, eles desistem e vão embora depois de um tempo.

Varanasi
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1 – Sarnath
Sarnath a 13kms. de Varanasi é um dos lugares mais sagrados do budismo, onde Gautama Budha fez seu primeiro sermão aos 35 anos de idade e nunca mais parou até os 80. Existem numerosos monastérios e grandes stupas da época de Ashoka (século III A.C.) e dos imperadores Guptas,  (século IV / VI D.C). Foi muito destruída no período muçulmano, depois abandonada e só redescoberta em 1794. As esculturas mais importantes desse período estão na frente do museu de Sarnath.
Stupas são como túmulos e servem como santuário para relíquias de Buda.
2 – Museu de Arqueologia de Sarnath

Um dos mais importantes e antigos da Índia com uma das mais belas coleções de arte budista e obras de escultores do século III A.C. até o século XII D.C. Construído pelo governo indiano em 1904 para preservar as antiguidades achadas nas escavações em Sarnath.

Museu de Arqueologia de Sarnath
2 – Stupa de Chaukhandi

A Stupa de Chaukhandi, construída por Akbar em nome de seu pai Houmayour, é uma importante stupa budista em Sarnath, com sua torre octogonal erguida sobre a própria stupa.

Stupa de Chaukhandi
3 – Stupa Dhamekh
A stupa de Dhamekh, “Seat of the Holly Boudha”, é uma das mais belas esculturas budistas na Índia, bem alta com decorações geométricas, flores e vestígios de antigos monastérios budistas, é do período gupta (séculos V e VI D.C.). Construída pelo grande imperador Ashoka Maurya, um dos mais importantes pelas grandes conquistas militares com as quais aumentou e consolidou as fronteiras do território indiano. Ashoka tornou-se budista depois de presenciar tantas mortes durante as batalhas e é visto como grande benfeitor da Índia.
Stupa Dhamekh
4 – Bharatamata Mandir
Templo da mãe India, no interior do qual pode-se ver um mapa da India em mármore, muito bonito. Foi inaugurado por Mahatma Gandhi em 1936 e um presente dado pelos nacionalistas. Ghandi disse: “Eu espero que esse templo sirva para pessoas de todas as religiões, castas e credos e que promova a união das religiões, paz e amor no país”.
Bharatamata Mandir
5 – Passeio de barco no Ganges
O amanhecer estava lindo!! Sol vermelho, céu cor de rosa. As pessoas chegam nas escadas perto do rio, tiram a roupa e se banham. É muito simples e muito bonito de se ver. Muito calmo, com música hindu. As mulheres tiram a parte de cima da roupa, se molham com o sari, peitos nus, mergulham até a cabeça e depois se vestem molhadas mesmo. Tem um lugar nas escadas também, onde as pessoas ficam de cócoras, nuas, bundas viradas para o rio e fazem cocô e dá para a gente ver!! Vimos um morto sendo cremado e uma menina preparada para  a cremação. As mulheres não podem assistir a cremação.
Passeio de barco no Ganges
O rio Ganges lava os pecados segundo a religião hindu. Eles seguem um ritual: seguram na mão o “lota”, o recipiente sagrado, que eles lavam insistentemente com esta  água do rio: depois pegam essa água e jogam na cabeça, rezando. Por último bochecham e cospem.
Rio Ganges
Voltar a pé para o hotel pelo meio das casas é impressionante. Pode-se andar por toda a borda do rio Ganges por dentro das casas. Ruelas bem estreitas, milhares de pessoas, vacas, cocô, pipi, vai-se atravessando de uma casa para outra, é um verdadeiro labirinto surrealista.
Calcutá
Fundada em 1690 pela Companhia Inglesa das Índias Orientais, Calcutá foi capital da Índia de 1833 até dezembro de 1911, durante o Império britânico. No início do século XX, o rei George V, Imperador da India na época,  mudou a capital para Delhi por ser mais central. Sua economia entrou em declínio após a independência indiana, em 1947, embora tenha voltado a crescer a partir de 2000.
Rua em Calcutá
Calcutá ou Kolkata, capital do estado de Bengala Ocidental, às margens do rio Hooghly, perto da fronteira com Bangladesh tem seu nome associado a muita pobreza e sujeira, e é de fato uma cidade muito feia e suja. É a quinta cidade mais populosa da Índia com 4.486.679 habitantes. É uma cidade impressionante, foi a que mais me marcou na Índia tamanha a pobreza e o número de pessoas que mora na rua!
Dois exemplos:
1 – para sair do hotel nós tínhamos que pular sobre leprosos que estavam deitados na calçada para conseguir chegar até a rua para entrar no carro.
2 – Eu e minha amiga saíamos para tirar o que chamávamos brincando de fotos de horror: ônibus tão cheios que não se vê a lataria: é totalmente coberta de gente pendurada por todos os lados, até na capota tem gente!! fotos de famílias que moravam na rua: homens fazendo a barba, mães tirando piolhos dos cabelos dos filhos, cozinhando no fogão, tomando banho de lata, tudo na rua!! Não dá para acreditar que exista tanta sujeira e miséria no mundo!
Lembrei-me de um livro que li e que me marcou muito, “A cidade da Alegria”. O livro foi escrito por dois jornalistas, Dominique Lapierre e Larry Collins, que relatam com muita clareza e honestidade a vida de um homem e sua família em Calcutá.
Apesar de tudo que foi dito acima, Calcutá é hoje um dos maiores e mais importantes centros urbanos e financeiros da Índia, e um dos mais desenvolvidos da Ásia.
Skyline de Calcutá moderna
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1 – Vitória Memorial

Monumento inglês, construção do Raj britânico de 1921: design bonito, parte clássico vitoriano e parte moghol em mármore branco, abundância de estátuas, é impressionante. Jardins muito bonitos, é um verdadeiro símbolo da era vitoriana na India e definitivamente uma das imagens de Calcutá.

Vitoria Memorial
2 – Club de golf
Lindo, tipicamente inglês, não parece que você está em Calcutá, construído em 1829, o primeiro e mais antigo da Índia, só para homens. As mulheres só foram admitidas com muito relutância depois de 1886. O Rei George V e a rainha Mary visitaram o clube em 1911, ocasião que inauguraram o Gateway of India em Mumbay.
Club de Golf Calcuta
3 – Palácio de mármore
Pertence a uma família hindu, construído por volta de 1800, estilo neo-clássico, com grandes pátios abertos típicos da Índia. O dono estava lá, muito simpático. Tem muitas obras de arte ocidental, quadros (Rubens, Van Eych) e esculturas, de gosto um pouco duvidoso. O teto cheio de desenhos com madeira pintada e aplicada, o chão com vários tipos de mármore, um pátio cheio de pássaros, tem até um pequeno zoológico.
Palácio de Mármore
4 – Museu da Índia
Dizem que é o melhor da Índia. O que dizer dos outros! É uma construção bonita, parece um palácio antigo, pátio no meio com colunas, mas imundo, pedras arqueológicas, bichos etc… As esculturas são bonitas, devem ter sido tiradas dos templos setentrionais do Sul.
5 – Catedral de São Paulo

A maior catedral cristã anglicana de Calcutá, de estilo gótico, feita pelos ingleses na metade do século XIX. De longe é muito bonita, mas de perto vê-se que não está muito bem conservada.

Catedral de São Paulo
Durante os passeios indo de um lugar para outro, só vimos destruição, sujeira, pessoas pedindo esmola, doentes. Calcutá parece uma cidade que acabou de sair de uma guerra violenta e tudo está destruído.
6 – Minarete de Shaheed
É uma torre de 50 mts de altura em Maidan, uma mistura de arquitetura egípcia, turca e síria. Foi construído em 1812 em homenagem ao Sir David Ochterlony, herói na guerra contra o Nepal.
7 – Howrah Bridge
Esta é uma ponte incrível, de 450 metros de comprimento, uma das mais movimentadas do mundo, segundo eles: cerca de 100 mil veículos e 2 milhões de pessoas atravessam a ponte todos os dias. Não é permitido fotografar sobre a ponte.
Howrah Bridge
8 – Templo de Kali – Kali Khetra – Kalighat – Calcutá
Do ano de 1809, é um importante local de peregrinação para os fiéis. Diz a lenda que quando o corpo da esposa de Shiva foi cortado, um de seus dedos caiu nesse lugar. Kali é considerada uma mulher exuberante e a mais poderosa do mundo para os hindus.
9 – Casa de Madre Teresa de Calcutá
Monja católica, Madre Tereza nasceu na Macedônia, naturalizou-se indiana e fundou a Congregação das Missionárias da Caridade em 1959. Desde então trabalhou em prol dos desafortunados e se preocupou em expandir sua obra em outros lugares pobres do mundo. No Brasil, a Casa Madre Tereza é em Caxias do Sul. Ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1979.
Bodhgaya
Saindo de Sarnath, o caminho é bem interessante, muita plantação e quase toda a margem da estrada cheia de favelas, que é a habitação normal nessa parte da India. Dar uma volta por fora do templo, visitar a famosa árvore onde Buda meditou durante sete dias e depois teve a iluminação. Quando voltou do transe disse “Todos nós somos Buda”, revelação que abalou a todos. Tivemos sorte e pegamos lua cheia, noite belíssima, em volta do templo pessoas se preparavam para dormir ao relento: ficam lá sete dias e sete noites meditando, alguns fazem o tour das sete semanas do Buda. O clima é muito especial, sente-se no ar uma vibração diferente e muita paz.
Curiosidades indiana:
– o motorista do nosso ônibus parou, foi almoçar e nos deixou esperando sem dar nenhuma explicação. No caminho ele tinha uma guirlanda de flores parou e pegou outra nova, a guirlanda velha jogou no Ganges com uma moeda: é um costume que fazem para dar sorte. Depois de umas quatro horas parou de novo para descer e deitar numa cama na beira da estrada, tomou chá deitado e lavou a cabeça, parece que estava cansadíssimo, descansou então um pouco!!!

-pedágios a cada meia hora e são impressionantes.

Tem um homem deitado, às vezes na própria cama, uma mesinha ao lado com uma caixa com o dinheiro que ele recebe (não deve ter ladrão na estrada), o teto dessa coisa está meio caindo, não dá para acreditar. Quando o ônibus buzina, ele levanta a perna e puxa uma corda que está amarrada no dedão do pé e abre a cancela, que é um pau torto, o ônibus passa, ele abaixa a perna e a cancela fecha, pega o dinheiro sem se levantar da cama, vira e continua a dormir!!

Para se viajar na India tem que estar com outro espírito, não ter pressa, não querer muita explicação, porque senão não funciona e estraga a viagem.
Madras ou Chenai
Capital do estado de Tamil Nadu ao sul do país, entre as quatro primeiras mais populosas da Índia com seis milhões de habitantes e capital cultural do sul da Índia. Fica na Baía de Bengala e é o mais importante e maior centro comercial, cultural, econômico e educacional do sul da Índia.
Fundada pelos ingleses no século XVII com o nome de Fort St. George foi sede da Companhia Inglesa das Índias Orientais até 1773 e se desenvolveu com o comércio de algodão e têxteis, tendo sido a cidade mais importante da Índia enquanto colônia inglesa. O turista pode visitar além dos templos, do Forte S Jorge, uma bonita biblioteca, muitos bares, museus, restaurantes, hotéis e a longa e bonita praia de Marina Beach.
Madras ocupa o segundo lugar na indústria cinematográfica indiana produzindo mais de cem filmes por ano.
Visitar:
1 – Templo Sri Parthasarathy
Fica perto da Marina Beach, muito grande, antigo, arquitetura interessante, construído pelo Rei Narasimhavarman I e dedicado ao deus Vishnu. O templo tem quatro encarnações de Vishnu: Narasimha, Rama, Varaha e Krishna. Há entradas separadas para os templos de Krishna e Narasimha. Inspira muita calma.
2 – Templo de Kapaleeshwarar data do século VIII.
O mais visitado e um dos mais bonitos de Chennai! Fica em Mylapore, um subúrbio da cidade e é dedicado a Shiva. Mandado construir no século VII pelos reis Pallava (os mesmos de Mahabalipuram) o local é composto por diversas construções de diferentes datas.
3– Igreja de São Tomás
Uma basílica menor católica, muito antiga, em estilo gótico construída pelos portugueses no local onde São Tomé foi enterrado. Seus restos mortais estão na cripta. Vale lembrar que há apenas três igrejas no mundo construídas sobre a tumba de Apóstolos de Jesus: São Pedro em Roma, São Tiago em Santiago de Compostela e essa de São Tomás em Chennai.
Templo Madras
Depois visitar local onde tem um tear para tecidos em algodão e seda, muito bonitos e primitivos.
Fábrica de Tecidos
Associação Teosófica, a sede mundial é em Madras. Foi fundada por Helena Blavatski, russa, juntamente com Oscoll, americano, em Nova York. Depois mudaram para Ajijam (nome do rio) em Madras. Ela escreveu muitos livros e parece ter sido, uma mulher com muitos poderes sobrenaturais. Materializava objetos, mandava cartas pela janela do trem para o seu gurú e recebia de volta, etc… Uma mulher gorda com caráter explosivo. Existem várias biografias sobre ela. Foi super interessante a visita.
Curiosidade – pashimina – xale muito especial feito com a lã do bócio do carneiro, mais fino do que cashmere e que enrolado passa por um anel.
Hotel Taj Coromandel*****
Da cadeia Taj, o hotel de Madras tem serviço excelente, ambiente muito bonito e agradável, ótimos restaurantes. São três com diferentes especialidades: Prego – um jantar elegante, cozinha italiana; Spice Sul, tradicional cozinha indiana do sul; Golden Dragon, chinês com assinatura do Taj. O Anise tem cozinha internacional e fica sempre aberto.
Para finalizar essa maravilhosa viagem pela Índia, como não podia deixar de ser, uma frase do grande filósofo Mahatma Ghandi:
“A única revolução possível é dentro de nós.” – Mahatma Gandhi
Colaboradora: Virginia Figliolini Schreuders

3 comentários em “Uma viagem pela Índia – parte 3

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