Porque fomos parar no Uzbequistão?

A minha curiosidade sobre esse país vinha de algum tempo já que eu queria entender o que havia acontecido com a União Soviética, que se desmontou de uma hora para outra, sem que nós comuns plebeus tivéssemos acesso ao processo.

O movimento de independência dos países europeus da chamada cortina de ferro, que incluía a Tchecoslováquia, Hungria e Polônia, foi muito forte e desencadeou também um movimento dessas repúblicas da Ásia Central.

Registan Square em Samarkand
Foto Yeda Saigh
Além dos países Bálticos como Letônia e Lituânia, todos esses países que tinham autonomia própria e línguas específicas, por quase um século (1920/1991) ficaram submetidos a autoridade do estado soviético. Nesse longo processo o povo foi adquirindo sentimentos anti-russos por terem as suas identidades completamente destruídas e sua liberdade totalmente reprimida.
Atualmente existe uma preocupação do atual governo do Uzbeque em recuperar os heróis nacionais como Amir Timur, considerado o maior deles. A informação que tivemos foi que há um desejo muito forte de eliminar a referência soviética de Stalin e Lênin.

Com uma população de 27.4 milhões, uma área de 447.400 Km2,  é um país com desníveis enormes de temperatura: -35c° no inverno à 52c° no verão. Por isso é muito importante escolher a época de viajar para lá, os melhores meses são Maio e Setembro, Fomos em Maio e pegamos uma temperatura amena entre doze e vinte e quatro graus.

Registan Square Tashkent
Foto Yeda Saigh

O território conhecido hoje por Uzbequistão fazia parte da Rota da Seda, a maior rede comercial do Mundo Antigo. Foi dominado por vários povos durante séculos: pelos Persas (século IV.a.C.), até hoje parte da cultura persa é preservada no país; por Alexandre o Grande da Macedônia, que casou-se com a princesa Roxane, filha do rei dos Sogdianos, Oxyartes. Grande dançarina, ela o enfeitiçou numa apresentação assim que se conheceram; por Genghis Khan, o grande herói mongol, em 1.219.

Monumento Amir Timur em Samarkand
Foto Yeda Saigh
Por Amir Timur, no século XIV, mais conhecido como ‘Timur o coxo’, (quando jovem, sofreu um acidente de cavalo que o deixou manco), foi o fundador do segundo império mongol, descendente de Genghis Khan: dominou todo o Turquistão até a Índia, invadiu a Rússia conquistando o Ural e o Volga até o mar Cáspio.
Em 1813 o Império Russo iniciou a sua expansão e estendeu-se pela Ásia Central. Houve várias conquistas nessa região em 1884: os Canatos de Bukhara e de Khiva, e o leste do atual Uzbequistão, incluindo Tashkent. Esses territórios conquistados foram reagrupados num ajuntamento administrativo sob o nome de Turquistão.
Em 1920 Stalin invadiu, além dos países da Europa Oriental, toda a Ásia Central formando a União Soviética com suas 15 repúblicas, sendo uma delas o Uzbequistão.
No final dos anos 1980, o último líder soviético Mikhail Gorbachev tentou reformar o Estado com suas políticas de Perestróica e Glasnost, mas a União Soviética entrou em colapso e foi formalmente dissolvida em dezembro de 1991, após uma tentativa frustrada de golpe.

Em 1991 o Uzbequistão declarou a sua independência, é uma República, e desde então tem um único presidente Islom Karimov, mas com limitações na democratização e na violação dos direitos humanos. As tensões étnicas levaram perto de dois milhões de russos a abandonar o país e irem para a Rússia. Os uzbeques de etnia russa não têm qualquer estatuto legal na Rússia nem em qualquer outro país e encontram-se portanto espalhados pelo mundo, particularmente na Europa e E.U.A.

Praça da Independência -Tashkent
Foto Yeda Saigh
Os primeiros cinco anos de independência foram muito sofridos para os uzbeques, ficaram sem governo, sem moeda, e segundo nossa guia Vitória, era um ‘salve-se quem puder’, passaram até fome. Hoje já estão se recuperando e estão um pouco mais estabilizados.

Sua economia é basicamente agrícola e é considerado o segundo maior produtor de algodão do mundo.

Plantação de Algodão

A melhor maneira de ir para o Uzbequistão saindo do Brasil é ir pela Europa: nós fomos por Paris e eu aconselho a dormir uma noite lá, porque duas noites de vôo com oito horas de fuso horário é muito cansativo. De Paris para Tashkent, capital do Uzbequistão, são 6h35 de vôo. Na chegada em Tashkent o visto demorou bastante. Porém a agradável sensação de estar num aeroporto grande e limpíssimo nos ajudou muito: o chão brilha em todo lugar!! Essa impressão continuou por toda a viagem.

Aeroporto de Tashkent
Foto Yeda Saigh
Viajar pela Abercrombie & Kent foi a melhor opção que fizemos, são muito competentes e profissionais. Desde nossa guia Vitória que foi perfeita: já nos esperava no aeroporto e ficou conosco até o último dia da viajem. Além de ser muito bonita e muito bem vestida foi incansável em nos agradar e satisfazer todas as nossas vontades.
Ficamos no Hotel Miran International (20 mnts do aeroporto), localizado no centro da antiga cidade, hotel bom, mas nada de muito especial. Os quartos são enormes, verdadeiros salões. Fizemos um tour pela cidade que é bem maior do que imaginávamos, muito arborizada e limpíssima.

Tashkent é a moderna capital do Uzbequistão com 2000 anos de história. Resta pouco da cidade antiga por causa dos terremotos e das reconstruções soviéticas. Tornou-se uma cidade muçulmana no VIII século a.C. e um importante centro comercial na Idade Média. A cidade antiga era um dos centros da Rota da Seda. Em 1220 a cidade tornou-se parte do império de Genghis Khan e mais tarde em 1865 parte do império russo. Em 2007 foi nomeada a capital do mundo islâmico pelo número de mesquitas  e estabelecimentos religiosos que a cidade abriga.

Hotel Miran International
Foto Yeda Saigh

Visitar em Tashkent:

Memorial do terremoto, foi feito para as milhares de pessoas que morreram nos grandes terremotos da década de 1960.

Monumento ao Terremoto
Foto Yeda Saigh

Praça Amir Timur, muito bonita, cheia de árvores com a estátua ‘Timur em seu cavalo’.

Monumento de Amir Timur
Foto Yeda Saigh

Madrassah Barak-Khan, um seminário islâmico do século XVI que abriga o Sunni Mufti da Ásia Central. Ver o Corão (livro sagrado dos muçulmanos) do século VII, um dos dois mais velhos do mundo.

Madrassah Barrak-kan
Foto Yeda Saigh
Minarete Khazrete – Imam de estilo persa: a maioria dos arquitetos de lá são persas.
Recomendo conhecer o metrô, é limpíssimo e muito civilizado, andamos quatro estações.

Applied Art Museum, é um must para quem visita a cidade. Tem muita informação histórica e do artesanato do país desde1927. Existe um bordado muito famoso e muito bonito uzbeque que se chama suzani,(bordado de seda), sedas lindíssimas e cerâmicas típicas. As compras são de enlouquecer, principalmente as almofadas e as echarpes!!

Vitória, nossa guia,
com um vestido de bordado suzani
Foto Yeda Saigh
Mesquita, a maior de Tashkent cabem 3.000 pessoas.

Independent Park, um grande parque onde tem uma estátua super famosa da Mother Mourning, com uma chama sempre acesa. Nos chamou muito a atenção os livros enormes de ferro abertos onde estão escritos todos os nomes dos soldados que morreram na segunda guerra Mundial, é muito bonito!

Independent Park Monument – ‘Mother in Mourning’
Foto Yeda Saigh

Assistimos a uma aula de Caligrafia bem interessante: percebemos como é difícil escrever nesses idiomas e a diversidade que existe!!

Aula de Caligrafia
Foto Yeda Saigh
Curiosidade
É impressionante o número de madrassahs (escolas) em todas as cidades do país, isso explica porque a população do país é 99% alfabetizada.

Jantar no Restaurante Sato, do Grupo Caravana, o melhor do Uzbequistão: parece um palácio de fadas oriental tradicional, estilo uzbeque: foram construídos para acomodar as caravanas que atravessavam o deserto nos séculos passados. Um jantar para três pessoas, nos contou a guia, custa US 800,00.

Restaurante Sato
Visitar o maior Department Store de Tashkent, vale pena, é enorme e é uma oportunidade para conhecer muitos artigos típicos dos uzbeques.

Almoçar no Restaurante Sim Sim, muito bom, dois andares com tetos altos e bem decorado ao estilo Uzbeque. Comer sopa, kebabs, baklava e chá.

Restaurante Sim Sim
Foto Yeda Saigh

Pegamos o avião para Khiva, 1h40 de vôo, nós achamos a cia aérea Uzbekistan muito boa, apesar de ter saído essa semana na Folha de São Paulo uma pesquisa sobre companhias aéreas e a Uzbequiatão air line ficou em quarto lugar entre as piores.

Vista do avião no vôo de Tashkent para Khiva
Foto Yeda Saigh

Hotel Asia Khiva razoável. Porém não deixe de visitar dentro da cidadela o Hotel Orient Star Khiva, construído no século XIX em 1853: fica numa antiga Madrassa de Moukhammed Amin Khan. Era a maior Madrassah da cidade onde 250 estudantes moravam e estudavam até o começo do século XX. Recomendo ficar nesse hotel, é melhor e mais bem localizado.

Hotel Orient Star Khiva
Foto Yeda Saigh

A cidade de Khiva é um museu a céu aberto no meio do deserto. É a única cidade de toda Ásia Central que sobreviveu inteira dos tempos antigos e a mais intacta de todas as cidades antigas do Uzbequistão. Construída dentro de magníficas muralhas com portões de entrada, Ichan – Kala (nome da cidade murada), tem mais de 250 construções do século XVI ao XIX. Esse complexo único inclui palácios, casas e edifícios públicos junto com minaretes e madrassas.

Lojinhas na frente de Madrassah em Khiva
Foto Yeda Saigh
Jantar no restaurante Yasawa-bosch, dentro das muralhas Ichan – Kala, lindo! Voltar a pé para o hotel a noite é muito agradável, pegamos uma noite de lua cheia e fizemos compras. Khiva é uma cidade muito diferente e bonita, lembra um pouco Petra na Jordânia, que também é dentro de um deserto, mas Khiva é uma cidade viva. Desde 1990 a cidade de Khiva é patrimônio mundial da UNESCO.

Explorar a cidadela passeando pelas charmosas ruas: a quantidade absurda de grandes obras de arte da arquitetura islâmica fazem de Khiva um lugar delicioso para se passear a qualquer hora do dia.

Entrada da Cidadela de Khiva
Foto Yeda Saigh
Muralha em Khiva
Foto Yeda Saigh

Visitar em Khiva:

Complexo Arquitetônico de Ichan-Kala, as incríveis obras islâmicas dos séculos XII ao XIX incluem: Residência do último Khan, Mausoléu Ismail Khodja, Madrassah Amin Mohammed Khan, Palácio Tash-Hovli, Mausoléu de Pahlavon Mahmud do século XVII, lindíssimo, é um lugar muito especial, Polvon-Darvoza, um corredor onde ficavam as celas dos prisioneiros à espera de serem vendidos como escravos.

Mausoléu em Khiva
Foto Yeda Saigh

Djuma Mosque do século X, com 213 colunas ornamentadas de madeira, uma das principais atrações de Khiva. É um oásis de paz bem no centro da cidadela com uma iluminação suave que convida a relaxar.

Djuma Mosque
Foto Yeda Saigh
Almoçamos num restaurante típico de uma família, Zainab House, salada e kebab, que é a melhor comida dessa região.
Torre de observação de Kuhna Ark (a fortaleza dos khans) toda a cidade murada Ichan Kala pode ser vista do alto, com destaque para a madrassa Rakhim Khan, onde hoje há um museu sobre a história e da cidade e seus khans.

Minarete Kalta Minor é maravilhoso: o khan, que ordenou sua construção queria que ele fosse tão alto que ele pudesse enxergar Bukhara, a 500 quilômetros de distância (ou quase três semanas de jornada em camelos). Segundo a lenda, somente quando a torre já estava com boa parte erguida é que ele percebeu que dali poderiam ver seu harém, dentro de Kuhna Ark. E ordenou que a obra parasse.

Minarete Kalta Minor em Khiva
Foto Yeda Saigh
Samanid Mausoléu fica no centro histórico de Bukhara, uma das maravilhas da arquitetura da Ásia Central construído no século X e lugar de descanso do poderoso Emir Ismail Samaniis, da dinastia Samanid, uma das dinastias persas que dominou a Ásia Central.
Curiosidade

Em todos os monumentos, mesquitas, madrassas e museus sempre tem lojinhas com coisas lindas para vender, difícil de resistir as compras uzbeques!!

Loja em Khiva
Foto Yeda Saigh
Pegamos o trem de alta velocidade Afrosiyob, (300 kms, quatro hs.) para Samarkand é ótimo, super rápido e muito confortável!!

Samarkand cujo nome significa “Cidade de Pedra” é famosa por sua localização estratégica da “Rota da Seda” entre a China e a Europa e por ser um centro de estudos islâmicos muito importante.  A mais antiga cidade da Ásia central foi fundada em 700 a.C. pelos persas. Sogdiana, província do antigo império persa em 525 a.C., cuja capital era Marakanda, hoje Samarkanda, foi conquistada por Alexandre o Grande em 329 a.C., e tornou-se um famoso centro da cultura persa. Em 1221 foi destruída por Genghis Khan, em 1370 foi capital do império de Timur, depois foi conquistada por chineses da dinastia Tan. Em 1868 passou a ser do Turquistão e em 1920 parte da União Soviética.

Trem para Samarkand
Foto Yeda Saigh

Hotel Samarkand Plaza bem simpático, mas nada de excepcional.

Hotel Samarkand Plaza
Foto Yeda Saigh

Visitar em Samarkand:

Registan Square – uma das praças mais bonitas do mundo, realmente é de tirar o fôlego. Os monumentos históricos são considerados os mais maravilhosos da Ásia Central: a praça é rodeada de madrassas e mesquitas ricamente decoradas com azulejos e domos azuis.

Observatório de Ulug Bek, o neto de Tamerlane, um dos maiores astrônomos de seu tempo. Ulugubek, que sucedeu Tamerlão no controle do vasto império, pagou com a vida seu amor pelas ciências. Em 1420, ele abriu em Samarkand a primeira “universidade” da região, na madrassa que levou seu nome, no Registan. Mandou construir também um gigantesco astrolábio, do qual mapeou 200 estrelas. Também fez cálculos precisos sobre a duração do ano, e hoje é reconhecido mais pelo seu legado como astrônomo do que como o principal herdeiro do seu temido avô. Morreu assassinado pelo próprio filho Abdul Latif, em 1449. O observatório foi abandonado e apenas em 1908 o que sobrou, encontrado por arqueólogos foi uma das peças do astrolábio, curva e inacreditavelmente imensa (uns 30 metros), é exibida na colina do observatório, ao lado de uma estátua do astrônomo.

Observatório de Ulug Bek
Foto Yeda Saigh
Shakhi-i-Zinda – ou “Tumba do Rei Vivo”, é o local onde Tamerlão e Ulugubek, seu neto, enterraram muitos de seus familiares e amigos mais queridos. Trata-se de uma rua de mausoléus. Uma rua estreita, com uns 100 metros de comprimento, em que cada uma das “casas” tem um portal esculpido com lindos azulejos azuis, moldados, remoldados, esculpidos e pintados com alegorias de plantas, flores. É um complexo de mausoléus do século XIV e XIX numa montanha, é maravilhoso!!! Você vai subindo as escadas (são cerca de 100 degraus) e entrando nos templos ricamente decorados, um mais deslumbrante que o outro!

O conjunto é formado por 3 grupos de estruturas: baixo, médio e alto que são conectados por quatro arcos chamados “chartak”. Depois de seu portal, cada mausoléu apresenta uma câmara com um pequeno domo. No chão, a caixa de pedra retangular, deitada, abrigando os restos mortais do seu habitante. A escolha deste lugar para abrigar os mausoléus tem um bom motivo: trata-se, certamente, da área mais sagrada para os muçulmanos de Samarkand.

Shakhi-i-Zinda
Foto Yeda Saigh
Almoçamos no restaurante Platan, muito simpático, comida de sempre, kebab de carneiro ou de frango e salada.
Mausoléu Guri Amir – com sua cúpula turquesa, fica no fim de uma esplanada plana. Hoje parece pequeno demais, tem somente algumas ruínas em volta da tumba. As paredes do salão principal e o interior de seu domo são recobertas de ouro. No centro do salão, estão as caixas de pedra onde estariam descansando os heróis do Uzbequistão. As pedras são apenas marcas, mas do lado de fora, uma escada leva para uma sala embaixo e é lá que estão as verdadeiras criptas em uma câmara bem simples, com tijolos nas paredes. O sarcófago de Tamerlão é de jade escuro.
Mesquita Bibi-Khonym a maior mesquita do Oriente, cabem 15.000 pessoas!!
Museu Histórico de Samarkand mostra vários exemplos de sílex talhado encontrados na área da cidade, no sítio arqueológico denominado Afrasiab.

Tumba do Profeta Daniel, da Bíblia, do Talmude e do Corão. Daniel teve seus restos trazidos para Samarkand por Tamerlão. Existe uma lenda que diz que o corpo de Daniel continua crescendo, mesmo depois de ele ter morrido. Por isso, seu caixão tem 18 metros de comprimento.

Túmulo do Profeta Daniel
Foto Yeda Saigh
Jantamos no restaurante Astoria Classic onde participamos de uma festa de casamento, as brasileiras fizeram sucesso, dançamos e fizemos um brinde para os noivos.

Feira livre de alimentos, é um presente para os olhos pelo colorido e diversidade. Não deixe de experimentar as especiarias: damascos, uvas passas, pistaches, amêndoas de vário tipos, é tudo divino!

Feira de Especiarias em Samarkand
Foto Yeda Saigh
Fazer um pic nic numa montanha perto de Samarkand, é um programa que os uzbeques adoram. A vista é linda! A guia levou tudo preparado: kebab de carneiro e salada.
Fábrica onde fazem papel da maneira antiga, parece papiro (papel egípcio). Você assiste a todo o processo da fabricação, desde as folhas da planta dentro da água até o papel ficar pronto.
Atelier da maior designer do Uzbequistão, Valentina Nikolaevna, russa. Assistimos um desfile bárbaro, as roupas são incríveis! Os xales são lindos e vale a pena comprar!
Seguimos de carro para Bukhara, conhecida como Cidade da Sorte (cinco horas!!!). É o mais completo exemplo de uma cidade medieval na Ásia Central. Localizada na “Rota da Seda”, tem mais de 2.000 anos de idade, e foi durante muito tempo o centro de comércio, estudos, cultura e religião dessa região. Durante a idade de ouro dos Samânidas, Bukhara tonou-se o centro do mundo Islâmico. O centro histórico de Bukhara onde se situam muitas mesquitas e madrassas, foi declarada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade.

A estrada é incrível, no meio do deserto. No caminho paramos em Raban Malick Caravan Serail Fromanger do século XI, antiga estalagem no meio da estrada onde as carruagens paravam, as pessoas descasavam e trocavam os cavalos. Há também um famoso reservatório de água antigo, Sardobar. Almoçamosum lanche no carro que a guia levou.

Caravan Serail
Foto Yeda Saigh

Nem sentimos o tempo passar porque Vitória, nossa guia, ficou o tempo todo nos contando histórias interessantes sobre o Uzbequistão. Paramos numa fábrica de cerâmica em Gijduvan, muito interessante e com peças lindas.

Fábrica de Cerâmica
Ficar no Hotel Omar Khayyam, um hotel de três estrelas, localizado na parte antiga da cidade de Bukhara. O hotel tem uma localização ideal para passear na pitoresca parte antiga da cidade onde todos os monumentos antigos estão concentrados.

Visitar em Bukhara:

Madrassah Mir-i-Arab, pouco se sabe de sua origem, mas foi o Sheikh Abdullah Yamani do Yemen quem construiu esse palácio conhecido como das 40 colunas, apesar de ter só 20: quando você fica do lado de fora do lago são 40, 20 reais e 20 refletidas na água. O complexo está localizado na parte histórica da cidade.
Desde 713, vários conjuntos de principais mesquitas catedrais foram construídas nesta área ao sul da Cidadela.

Kalyan Minarete é a única das estruturas do complexo Arslan-han, que sobrou da destruição de Gengis Khan. É um dos melhores  monumentos arquitetônicos da escola de Bukharado século XVI, também conhecida como Torre da Morte porque durante séculos criminosos eram arremessados lá de cima.

Mir-i-Arab Madrassah

Mesquita Bolo-Hauz é o único monumento que sobreviveu na Registan Square e inclui na mesquita, um minarete e uma piscina. A piscina é a parte mais antiga do conjunto e é um dos poucos remanescentes da antiga cidade. Esta piscina é uma honra a mesquita chamado Bolo-Hauz.

Mesquita Bolo-Hauz
Foto Yeda Saigh
Mausoléu Chashma Ayub: há um açude onde as mulheres fazem fila para retirar a água. Segundo a lenda, o bíblico Jó teria batido seu cajado nesse lugar e feito brotar uma nascente. Seu formato incomum só adiciona à coleção arquitetônica de Bukhara, cheia de estruturas dos mais diversos tipos.
Mesquita Maghoki Attar, é a mesquita mais antiga da Ásia Central, datando do século IX, construída sobre um templo budista e depois um zoroastriano. Sofreu modificações no século XVI, foi danificada por um terremoto no XIX e recuperada no XX.

Fazer compras nas Domes do Comércio, antigamente eram cinco Domes, Genghis Khan destruiu duas, as outras três tem lojas dentro, uma só de jóias, outro de tecidos e outro de trocar dinheiro só de judeus. É muito divertido andar pelas domes, você vai de uma para a outra tudo a pé e faz compras ótimas!!

Domes em Bukhara
Foto Yeda Saigh

Complexo Nadir-Divan – a história desse conjunto está intimamente conectada com o Emir de Bukhara. Não deixe de apreciar uma árvore antiquíssima, com o tronco todo retorcido, na praça em frente da maior piscina de Bukhara.

Árvore na praça de Bukhara
Foto Yeda Saigh

Palácio Sitorai-Mohi-Hosa, residência de verão de Amir Timur no país. Ele enviou mestres de obra à St. Petersburgo e Yalta para estudarem arquitetura russa. Usando esses conhecimentos os arquitetos construíram esse esplêndido edifício usando a arquitetura local de Bukhara em conjunta com a da Rússia. Um salão com o trono real para recepções que se tornou a pérola do palácio. Fizeram uma grande entrada de arco, quintal com galerias, o edifício principal num estilo europeu e casas para o harém de Amir Timur no jardim. Este palácio representa uma mescla fantástica da arquitetura russa, oriental e européia do mundo.

Palácio Sitorai Mohi Hos

Mausoléu de Samanide, pérola da arquitetura da Ásia Central, onde está o túmulo dos governadores da dinastia de Bukhara.

Registan Square
Foto Yeda Saigh

O Uzbequistão, sendo o grande centro da rota da seda, foi de longe o país com as cidades mais interessantes, com a arquitetura mais impressionante e cultura local mais rica da Ásia Central.

Com certeza o fato de ter sido menos russificado que ambos, Cazaquistão e Quirguistão, colaborou para o país ser mais autêntico e preservado. Por mais semelhantes que fossem Samarkand, Bukhara e Khiva, as três cidades históricas da rota da seda tinham um clima distinto e muitas singularidades.

Samarkand impressiona pela arquitetura imponente de suas construções, Bukhara pela vida pacata de seus moradores em meio ao que restou dos tempos passados e Khiva por ter sido tão bem preservada e de certa forma parada no tempo.

Tashkent, sua capital, é um quadro perfeito do que se espera de uma ex-repúlbica soviética que ainda sofre de uma influência mesmo que indireta por parte da Rússia e que se mantém sob o comando de um ditador há mais de duas décadas. Por tudo isto, o Uzbequistão vale a pena ser visitado.

O vídeo em seguida produzido por Sardor Varisov mostra um pouco mais das belas cidades, natureza e a cultura nacional do Uzbequistão.

By Sardor Varisov
Uzbekistan
Voltamos por Moscou (3h30), o vôo para Paris era às 6hs da tarde, então tínhamos 7hs de espera. Uma guia ótima da Abercrombie & Kent foi nos pegar no aeroporto em Moscou para nos levar para o outro aeroporto e fazer o tour. Foi a nossa sorte!! O trânsito em Moscou é caótico, levamos 5h30 de um aeroporto para o outro e não fizemos tour nenhuma, mas a guia foi nos contando histórias interessantíssimas sobre a Rússia de hoje e nos apontando de dentro do carro alguns monumentos. Vimos o Kremlin, o palácio de Pedro o Grande, várias igrejas maravilhosas, tudo pela janela. Pegamos sol, calor, chuva e frio e tudo sem comer nada!!!

Para terminar alguns pensamentos do grande escritor russo Leon Tolstói

“Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira.
Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade.
A liberdade não é um fim, mas uma conseqüência”.
Boa Viagem!!
Serviços:
Visto: E necessário visto para cidadãos portugueses e brasileiros.

Hotéis:

– Miran International Hotel em Tashkent

Shakhrisabz passage 4, Tashkent. 100600, Uzbequistão
Tel.: (+99871) 232-30-00
– Uzbekistan Hotel em Tashkent
45, Мusakhanov str.,Tashkent. 700047, Uzbequistão
Tels.: +998 (71) 113-1111 / 113-1012 / 113-1113,
Fax: +998 (71) 1131100 / 113-1090
– The International Hotel em Tashkent
107a Amir Temur Street, Tashkent. 700084, Uzbequistão
Tel.: + 998 (71) 120 70 00
Fax: + 998 (71) 120 64 59
– Hotel Ásia Khiva
K Yaqubova Street, khiva 741400, Uzbequistão
Tel.: +998 (62) 375 76 83
– Hotel Orient Star Khiva em Khiva
1, Pakhlavan Makhmud Street, Khiva. Uzbequistão
Tel.: +998 (62) 375 49 45
-Hotel Samarkand Plaza em Samarkand
Samarkand, Dagbitskaya -Rudaki Str. Uzbequistão
Tel: 998 (66) 2324099
Fax: 998 (66) 2321962
– Hotel Omar Khayyam em Bukhara
7, Hakikat Str, Bukhara, Uzbequistão
Tels.: +998 (65) 224 62 67 / 224 60 54
– Museum of Applied Arts
15 Rakatboshi St, Тоshkent 100031, Uzbequistão
Tel: +998 (71) 256 40 42
Restaurantes:
– Restaurante Sim Sim em Tashkent
Mukimi Street 15, Tashkent. Uzbequistão
Tel.: + 998 (71) 253-5434
– Restaurante Sato em Tashkent
18, A. Kakhar Str., Tashkent. Uzbequistão
Tels.:: +998 (71) 150 06-60, + 998 (71) 150 99-49
– Restaurant Astoria Classic em Samarkand
A. Temur Str. 14, Samarkand. Uzbequistão
Tel.: +998 (91) 600 18 81
– Para mais informações sobre esse herói nacional Amir Timur,
clique no link abaixo:

Colaboradores: Cristina Gabriel e Pedro Henrique A. Pereira

12 comentários em “Uzbequistão

  1. Oi Yeda, foi uma surpresa deveras agradável encontrar seu blog! Também sou psicanalista e vivo em Cuiabá, Mato Gosso. Estou preparando minha viagem para o Turcomequistão, Uzbequistão e Tajiquistão para abril e maio desse ano. Adorei seu relato e suas fotos que me serão de grande utilidade. Obrigada e que sigas viajando sempre. Um abraço, Berenice M. Zaffari

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