Viagem à Turquia

A Turquia é um destino imperdível para quem gosta de história e uma vida moderna super agitada. Istambul, então, é uma cidade incrível — dá para passar dias visitando museus, mesquitas e monumentos lindos, curtir uma comida maravilhosa e ainda se perder nas compras, com o Grande Bazar como point número um. Aliás, o Grand Bazaar e o Bazar das Especiarias merecem um capítulo à parte: além de comprar coisa boa, a experiência em si já vale o passeio (e pechinchar faz parte da brincadeira!).

Palácio de Topkapi
Foto Yeda Saigh

Istambul é a maior cidade da Turquia e uma das mais populosas da Europa, com cerca de 15 milhões de habitantes na região metropolitana. Fundada em 667 a.C. por Bizas, rei de Mégara, a cidade já teve os nomes de Bizâncio e Constantinopla, tendo adotado oficialmente o nome Istambul em 1930.

Vista de Istambul
Foto Yeda Saigh

Sua importância histórica é enorme: foi capital do Império Romano do Oriente (Bizantino) e depois do Império Otomano até 1923, servindo por séculos como centro do califado islâmico. Hoje, embora a capital política da Turquia seja Ancara, Istambul segue sendo o principal centro industrial, comercial, cultural e universitário do país, além de sede do Patriarcado Ecumênico da Igreja Ortodoxa.

Besiktas Dolmabahçe
Foto Yeda Saigh

Geograficamente, é uma das poucas cidades do mundo situadas em dois continentes, dividida pelo estreito do Bósforo entre a parte europeia e a asiática, com o Corno de Ouro separando ainda a região europeia em duas áreas históricas (Fatih, o núcleo antigo, e Beyoğlu, a antiga Pera). Partes históricas da cidade são Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1985, e Istambul foi Capital Europeia da Cultura em 2010. A população é majoritariamente muçulmana, com minorias cristã e judaica.

Ponte da Europa para a Ásia
Foto Yeda Saigh

Fomos pela Turkish Airlines, que recomendo bastante, serviço impecável, treze horas direto até Istambul. O único senão é que o voo sai de São Paulo às 4h40!! Prepare-se para o tráfego de Istambul, assisti a um filme turco no avião que começa dizendo: quem nasce em Istambul tem que ter a consciência que vai passar nove anos da vida no trânsito!!

O aeroporto de Istambul é impressionante de tão grande. Inaugurado em 2019, tem o maior terminal do mundo sob um único teto e foi projetado para receber, no futuro, algo como 200 milhões de passageiros por ano — mais do que qualquer outro aeroporto do planeta. 

Aeroporto Istambul
Foto Yeda Saigh

Ficamos no lendário hotel Pera Palace, construído em 1892 para hospedar os passageiros que chegavam a Istambul pelo serviço de trem de longa distância Orient Express, o hotel foi um local de luxo pioneiro. Foi o primeiro estabelecimento em Istambul a fornecer eletricidade e água quente fora dos palácios otomanos e abrigou o segundo elevador elétrico da Europa – o primeiro ficava na Torre Eiffel.

Hotel Pera Palace
Foto Yeda Saigh

Foi ali que Agatha Christie escreveu Assassinato no Expresso do Oriente. No quarto que ela ficava tem uma placa com seu nome. O hotel fica em Pera, antigo bairro europeu de Constantinopla, bairro das embaixadas, banqueiros e comerciantes estrangeiros. O hotel é muito bonito, decoração da época século XIX.

Hotel Pera Palace
Foto Yeda Saigh

Curiosidade

Se você pudesse sonhar em ser dono de uma das festas de Ano-Novo mais marcantes da história, capaz de atravessar seis séculos e fazê-los se encontrar na virada da meia-noite, escolheria um salão de baile como este. Quando o champanhe estourou em 31 de dezembro de 1925, a Turquia aboliu oficialmente o calendário Rumi, que estava fixado no ano de 1341, e despertou instantaneamente no ano de 1926 do calendário gregoriano ocidental. Foi um salto cronológico literal de 585 anos, executado da noite para o dia. Para realizar tal feito, é preciso um local à altura. O Salão de Baile Grand Pera, no Hotel Pera Palace, preenche todos os requisitos: uma fileira reluzente de lustres de cristal suspensos em medalhões folheados a ouro no estilo Belle Époque, molduras florais, trabalhos em madeira cor marfim e cortinas do chão ao teto com tecido suntuoso suficiente para confeccionar uma dúzia de vestidos de baile.

Chá da tarde no Hotel Pera Palace
Foto Yeda Saigh

E logo abaixo, encerrando a ladeira, a Torre de Gálata, erguida pelos genoveses em 1348. É uma torre medieval localizada no bairro que lhe dá o nome na parte europeia de Istambul, ao norte do Corno de Ouro. A torre domina o panorama dessa parte da cidade e nela funciona um museu.

Torre de Galata
Foto Yeda Saigh

O café da manhã, é maravilhoso: um bufê com tudo o que se possa imaginar. O café turco merece uma nota — em turco, kahvaltı significa literalmente “antes do café”, ou seja, aquilo que se come antes de tomar o café. É uma refeição levada muito a sério, com dezenas de queijos, azeitonas, tomates, pepinos, mel com kaymak (um creme de leite espesso), pães, ovos e geleias.

As lojas de Istambul merecem um capítulo à parte no relato da viagem. A primeira que visitamos foi indicação do concierge do hotel e acabou sendo uma das melhores experiências de compras da viagem. O diferencial começa antes mesmo de chegar: a própria loja envia um táxi para buscar os clientes e devolvê-los ao hotel depois, tudo por conta dela. O espaço fica no sexto andar de um prédio ao lado do hotel Westin, e já na entrada impressiona pelo tamanho e pela variedade de mercadorias — um verdadeiro sortimento de roupas de grife, relógios, sapatos, bolsas e porcelanas.

Loja Sisli Nisantasi
Foto Yeda Saigh

Jantamos num restaurante ao lado do hotel muito bom, bem servido e comida ótima, sem turistas, o que é raro em Istambul, indicado pelo Guia Michelin. 

Curiosidade

O Michelin só chegou a Istambul em 2022, quando publicou sua primeira seleção da cidade, e o resultado tem sido um garimpo delicioso. Este fica instalado dentro de uma antiga cisterna — e é bom lembrar que Constantinopla foi construída sobre centenas delas, reservatórios subterrâneos que guardavam a água trazida de longe pelos aquedutos, já que a cidade não tinha rios. Muitas viraram hoje restaurantes, galerias e salas de concerto. 

Fomos em várias lojas no bairro Fatih, perto do Grand Bazaar, ótimo programa: ruas simpáticas, muito arborizadas, dessas em que dá vontade de andar sem destino.

Ruas de Istambul
Foto Yeda Saigh

Paramos primeiro na loja Sueño, bolsas, muito boa. É uma loja de bolsas e acessórios localizada na área histórica de Fatih, perto da famosa Mesquita Nuruosmaniye e do Grande Bazar. Funciona diariamente das 8h às 21h. Depois fomos na loja Seiko.Tem de tudo, distribuído em várias salas: uma só de bolsas Hermès, outra só de Dior, muitos relógios, uma sala inteira de pashminas Loro Piana, Chanel, Vuitton. Uma perdição!!!

Em todas elas o roteiro é o mesmo, e faz parte do charme: mal se entra, aparece o çay, o chá turco servido no copinho em forma de tulipa, sempre segurado pela borda para não queimar os dedos. Os turcos são os maiores consumidores de chá per capita do mundo, e oferecê-lo não é gentileza opcional — é abertura de conversa, ritual de comércio, uma tradição que vem direto dos tempos do Grande Bazar.

Saímos da loja e fomos andando na rua e achamos um restaurante simples Otantic Karaca, comida turca ótima, muito simpático, nenhum turista! Ao lado tem um pequeno museu de tapetes orientais antigos muito interessante.

Otantic Café Restaurant
Foto Yeda Saigh

O spa do hotel é muito bom e a massagem é ótima! Mas o must é o haman ou o banho turco!!! É um ritual tradicional de limpeza e relaxamento feito em um ambiente quente e cheio de vapor. O processo inclui relaxar no vapor, deitar sobre uma pedra de mármore quente, receber uma esfoliação forte com uma luva especial, e um banho de espuma com massagem. Existem vários hanmans pela cidade. Vale muito a pena!!! Foi das melhores experiências que tive na Turquia!

Hammam do Hotel Argos – Capadócia
Foto Internet

Fizemos um tour de três dias com um guia ótimo chamado Eco, turco e muito simpático além de ser fluente em português.

Visitamos o Palácio de Dolmabahçe, construído no século XIX pelo sultão Abdulmecit I, à beira do Bósforo. Depois de quatro séculos morando no Topkapi, os sultões quiseram um palácio nos moldes europeus — e o resultado é um exagero magnífico, com 285 cômodos, 46 salões e escadarias de cristal Baccarat. No salão principal está o maior lustre de cristal boêmio do mundo, com 4,5 toneladas e 750 lâmpadas, presente da rainha Vitória.

Palácio de Dolmabahçe – o maior lustre de cristal boêmio do mundo
Foto Yeda Saigh

Uma curiosidade emocionante: foi no quarto 71 do Palácio Dolmabahçe que Atatürk, fundador da Turquia moderna, morreu em 10 de novembro de 1938, às 9h05 da manhã. Os relógios do local nunca mais foram ajustados desde então — ficaram parados naquele horário como um luto silencioso que atravessou décadas.

Palácio de Dolmabahçe
Foto Yeda Saigh

Visitamos também a mesquita ao lado, a Mesquita de Dolmabahçe (ou Mesquita Bezm-i Alem Valide Sultan) — um projeto que, na verdade, começou como uma homenagem. Foi encomendada pela mãe de Abdulmecit I, a Valide Sultan Bezm-i Alem, que não chegou a ver a obra pronta. Foi o próprio filho quem deu continuidade e financiou a conclusão, inaugurada em 1855. Uma mesquita linda, com cúpula e vitrais circulares, quase colada ao Bósforo.

Mesquita de Dolmabahçe
Foto Yeda Saigh

Almoçamos no Galatasaray Sporting Club, do qual nosso guia Eco é sócio — um lugar muito bonito às margens do Bósforo, com vista deslumbrante para os dois lados, Europa e Ásia, e comida muito boa. O clube, fundado em 1905, nasceu dentro do Liceu de Galatasaray, uma das escolas mais antigas e tradicionais da Turquia.

Galatasaray Sporting Club
Foto Yeda Saigh

À tarde, fomos ao Mercado das Especiarias, também conhecido como Bazar Egípcio, um lugar lindíssimo, repleto de lojas coloridas de especiarias. Ele faz parte do complexo da Mesquita Nova e foi erguido no século XVII; o nome “egípcio” vem do fato de sua construção ter sido bancada com as rendas do Cairo, então província otomana. Paramos na loja de um amigo do guia, que nos deu uma verdadeira aula sobre os mais diversos tipos de chá e seus benefícios para a saúde — e ainda nos ofereceu doces e chás para experimentar.

Mercado das Especiarias 
Foto Yeda Saigh

Jantamos no rooftop do hotel The Marmara Pera no restaurante Mikla, deslumbrante!!!! Um terraço lindo, vista espetacular. O menu é fixo: três entradas, 3 pratos principais e 3 sobremesas, tudo excelente.

Rooftop do Mikla 
Foto Yeda Saigh

Uma pouco de história 

O sultão mais importante do Império Otomano foi Mehmed II, o Conquistador, que tomou Constantinopla em 1453, aos 21 anos, encerrando mil anos de Império Bizantino. Sob seu comando, os otomanos chegaram até a Itália, desembarcando em Otranto, no sul em 1480 — a poucos dias de marcha de Roma. Mehmed II morreu subitamente no ano seguinte, em 1481, e a suspeita de envenenamento nunca foi resolvida: a versão mais aceita hoje aponta para seu próprio médico particular, com teorias que envolvem tanto o filho Bajazeto II, que o sucedeu no trono, quanto interesses venezianos.

Visitamos depois a Mesquita Azul — não desanime com a fila, costuma ser muito grande, mas anda super rápido. Maravilhosa!! azulejos lindíssimos!! 

Mesquita Azul 
Foto Yeda Saigh

Foi construída entre 1609 e 1617, pelo sultão Ahmed I, e projetada por Sedefkâr Mehmed Agha, discípulo e principal assistente de Mimar Sinan — o mais célebre arquiteto do Império Otomano, “arquiteto-mor” da corte e autor de obras-primas como a Mesquita Süleymaniye, à serviço de três sultões ao longo de cinquenta anos.

Mesquita Azul 
Foto Yeda Saigh

Alguns detalhes curiosos: a mesquita tem seis minaretes, as torres finas e pontiagudas de onde tradicionalmente se faz o chamado à oração — um número raro e polêmico na época, já que só a Mesquita Sagrada de Meca tinha essa quantidade. Conta a tradição que a controvérsia só se resolveu quando um sétimo minarete foi erguido em Meca. Seu interior é revestido por mais de 20 mil azulejos artesanais de İznik, em tons de azul — daí o apelido “Mesquita Azul”, já que o nome oficial é Mesquita do Sultão Ahmed. E, diferente de outras mesquitas imperiais da época, custeadas com espólios de guerra, essa saiu do tesouro do próprio Estado, o que na ocasião gerou críticas de que o dinheiro deveria ter ido para os esforços militares.

Passamos pela Santa Sofia, mas estava está em obras de restauração. Foi erguida por Justiniano e concluída em 537, a maior catedral do mundo por quase mil anos, virou mesquita em 1453, museu em 1935 por decisão de Atatürk e voltou a ser mesquita em 2020, por decisão do presidente Erdogan.

Parque Santa Sofia 
Foto Yeda Saigh

Mustafa Kemal Pasha, conhecido como Atatürk, que significa pai dos turcos 

Mustafa Kemal Atatürk (1881–1938) foi o fundador e primeiro presidente da República da Turquia, liderando o país após a queda do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial. Antes disso, destacou-se como oficial militar, ganhando notoriedade por seu papel na defesa de Gallipoli em 1915. Como líder da Guerra de Independência Turca, comandou a resistência que resultou na criação da Turquia moderna em 1923. Uma vez no poder, promoveu uma série de reformas radicais de secularização e modernização — abolindo o califado, adotando o alfabeto latino, concedendo direitos políticos às mulheres e separando religião e Estado. O título “Atatürk” (pai dos turcos) lhe foi conferido pela Assembleia Nacional em 1934, e seu legado permanece central na Identidade política turca até hoje.

Mustafa Kemal Pasha, Atatürk
Foto Internet

De lá fomos até a Cisterna da Basílica, um lugar lindo. Construída sob Justiniano, no século VI, para abastecer o Grande Palácio, ela guarda 336 colunas de mármore reaproveitadas de templos mais antigos — o que explica a estrela do lugar: duas enormes cabeças de Medusa usadas como base de coluna, uma deitada de lado e outra de cabeça para baixo. Ninguém sabe ao certo se a posição foi por razão prática ou para neutralizar o olhar da Górgona. O nome “Basílica” vem do pórtico que existia acima dela na superfície.

Cisterna da Basílica
Foto Yeda Saigh

Almoçamos numa área muito charmosa, uma espécie de ilha de restaurantes, com comida boa e uma vista belíssima tanto da Mesquita Azul quanto da Santa Sofia. 

Visita ao Palácio de Topkapi. Fizemos o palácio inteiro — 2h45 de visita, faltando pouca coisa para ver. O harém, os azulejos incríveis, as joias e as relíquias, tudo muito impressionante.

Palácio de Topkapi
Foto Yeda Saigh

Topkapi foi residência dos sultões otomanos por quase 400 anos, até a mudança para Dolmabahçe. Diferente dos palácios europeus, não é um único edifício, mas uma sucessão de quatro pátios que se tornam mais privados a cada portão — no segundo, o silêncio era regra absoluta, e os pajens da corte se comunicavam por linguagem de sinais. 

Palácio de Topkapi
Foto Yeda Saigh

O harém, que hoje se visita apenas em parte, chegou a abrigar centenas de mulheres, entre esposas, concubinas e servas, tudo sob o comando da mãe do sultão, a Valide Sultan, a mulher mais poderosa do império.

Azulejos do Harém 
Foto Yeda Saigh

Entre as joias do Tesouro Imperial estão o famoso Punhal de Topkapi, cravejado de três esmeraldas gigantescas, e o diamante Kaşıkçı, o “Spoonmaker’s Diamond”, de 86 quilates — um dos maiores do mundo. E na Câmara das Relíquias Sagradas ficam objetos que os muçulmanos creem ter pertencido ao profeta Maomé, como fios de sua barba e a marca do seu pé. Ali, há séculos e sem interrupção, um recitador lê o Alcorão em voz alta — uma tradição iniciada no século XVI e mantida até hoje.

Palácio de Topkapi
Foto Yeda Saigh

De lá seguimos para o Grand Bazaar, onde almoçamos num restaurante excelente, especializado em carnes, chamado Nusr-Et Steakhouse. É uma rede mundial de churrascarias de luxo fundada pelo chef turco Nusret Gökçe, famoso mundialmente como Salt Bae devido ao seu estilo teatral de cortar carnes e jogar sal. 

Nusr-Et Steakhouse
Foto Yeda Saigh

A marca não possui unidades no Brasil, mas está presente em vários países.

Nusr-Et Steakhouse
Foto Yeda Saigh

O Grand Bazaar é um dos mercados cobertos mais antigos e maiores do mundo: suas primeiras construções datam de 1455, época do mesmo Mehmed II que conquistou Constantinopla, e hoje reúne mais de 4 mil lojas espalhadas por 61 ruas cobertas. 

Gran Bazaar
Foto Yeda Saigh

É praticamente uma cidade dentro da cidade — teve suas próprias mesquitas, fontes e até um sistema de segurança em que os comerciantes respondiam coletivamente pelas perdas uns dos outros.

Gran Bazaar
Foto Yeda Saigh

Fizemos um tour de barco pelo bósforo — 50 minutos de trajeto. O passeio foi ótimo: dava para ver toda a margem asiática, com casas lindas debruçadas sobre o Bósforo e muitas mesquitas, além de todo o lado ocidental, com seus hotéis luxuosos à beira d’água — Four Seasons, Çırağan Palace Kempinski e Shangri-La.

Galatasaray Sporting Club
Foto Yeda Saigh

Vale lembrar, que o Bósforo é o único lugar do mundo onde uma cidade se espalha por dois continentes, e que aquelas casas de madeira coloridas na beira da água têm nome: são os yalı, as antigas residências de verão da elite otomana — algumas do século XVIII, hoje entre os imóveis mais caros do planeta.

Voltamos ao hotel às 21h30 — doze horas de tour!

No dia seguinte pegamos um voo para a Capadócia. O voo foi tranquilo, 55 minutos, e mais 35 minutos de traslado até o hotel.

A Capadócia é resultado de erupções vulcânicas de milhões de anos atrás: as cinzas se compactaram numa rocha macia, o tufo, que o vento e a chuva foram esculpindo até formar as célebres “chaminés de fada”. Como o tufo é fácil de cavar e endurece em contato com o ar, moradores escavaram a paisagem por milênios — casas, igrejas, estábulos e até cidades subterrâneas inteiras, capazes de abrigar milhares de pessoas fugindo de invasões.

Fairy Chimneys – Chaminés de fadas
Foto Yeda Saigh

O hotel é incrível, construído dentro das rochas, muito bem decorado, com uma recepção e uma vista de morrer. Os quartos são todos dentro das cavernas! Haja pernas para tantas escadas!! 

Quarto Hotel Argos
Foto Yeda Saigh

O nosso guia da Capadócia nos contou que o maior desejo da mãe dele era morar numa casa com paredes de tijolos!!

Hotel Argos
Foto Yeda Saigh

Jantamos no restaurante do próprio hotel, o Seki, muito bom e com uma vista espetacular.

Restaurante Seki
Foto Yeda Saigh

Fomos fazer o passeio de balão. Uma van veio nos buscar às 3h50, paramos para um café da manhã num hotel e seguimos até o local onde ficam os balões.

Deu um pouco de medo no início, mas passou rápido — o piloto do nosso balão era um homem firme, com bastante experiência. Mais de cem balões sobem ao mesmo tempo, é lindo, e tudo coincide com o amanhecer: vimos o nascer do sol lá de cima.

Passeio de Balão
Foto Yeda Saigh

Os voos acontecem sempre nesse horário por um motivo prático: é quando o ar está mais frio e estável, antes de o vento acordar. A Capadócia é hoje um dos melhores lugares do mundo para voar de balão justamente porque as correntes em diferentes altitudes permitem ao piloto “escolher” a direção, subindo ou descendo.

Passeio de Balão
Foto Yeda Saigh
Passeio de Balão
Foto Yeda Saigh

O passeio dura uma hora; ao descermos, serviram champagne com morangos cobertos de chocolate e suco de laranja, e cada um ganhou uma medalha com corrente — um brinde de tradição antiga, que remonta aos primeiros voos na França do século XVIII, quando os balonistas ofereciam champagne aos camponeses assustados com aquilo caindo do céu. A vista é espetacular, vale muito a pena esse programa! Voltamos ao hotel às 6h45.

Passeio de Balão
Foto Yeda Saigh

Almoçamos um sanduíche no restaurante do hotel — vista linda! Às 14h saímos para o passeio com o guia Yalçın.

Visitamos o Museu a Céu Aberto de Göreme, com igrejas e mosteiros esculpidos direto na rocha, Patrimônio Mundial da UNESCO. A mais importante é a Igreja Escura, a Karanlık Kilise — e o nome explica sua beleza: como tem apenas uma janelinha, a pouca luz que entrou ao longo dos séculos preservou os afrescos com cores vivíssimas, as melhores de toda a região. Vimos também a Elmalı Kilise, a Igreja da Maçã.

Museu a Céu Aberto de Göreme 
Foto Yeda Saigh

Esse museu tem muitas escadas e caminha-se bastante, preste atenção em ir com tenis bem confortável! Depois fomos visitar uma cerâmica. Tinham muitas cerâmicas perto do hotel, todas muito boas, com peças lindas de diversos artistas.

Jantamos no restaurante Lil’a, do Museum Hotel, muito bom e com vista linda. O Museum Hotel é conhecido por ser o primeiro hotel-conceito de museu do mundo: abriga uma coleção valiosa de antiguidades e obras de arte expostas por todas as áreas. Fica em Uçhisar, cujo castelo escavado na rocha é o ponto mais alto da Capadócia, com vistas panorâmicas incríveis das formações rochosas. Trouxeram mantas para todos, pois ventava muito e estava frio.

Restaurante Hotel Museu
Foto Yeda Saigh

Fomos à numa loja de tapetes; vale saber que o tapete turco tem assinatura: os nós, a densidade e os padrões mudam de região para região, e cada motivo tem significado — há símbolos de fertilidade, de proteção contra o mau-olhado, de união.

Jantamos no restaurante Saklı Konak, considerado por muitos o melhor kebab da região. É um lugar bem simples, a comida é boa, mas acho que exageram um pouco na propaganda.

Restaurante Saklı Konak
Foto Yeda Saigh

Voltamos para Istambul, 50 minutos de voo, e dessa vez ficamos no hotel  Shangri-La — maravilhoso! Quarto ótimo, com vista deslumbrante para o Bósforo. O prédio, aliás, tem uma segunda vida: era um armazém de tabaco dos anos 1930, em Beşiktaş, reconvertido em hotel de luxo. O spa é excepcional, excelente. 

Hotel Shangri-la
Foto Yeda Saigh

Jantamos no restaurante de sushi do hotel, Shang Palace especializado em comida chinesa e cantonesa à beira do Bósforo, muito bom, frequência ótima!

Um dos maiores cafés da manhã de hotel que já vi na vida! Enorme, com de tudo, muito bem arrumado em várias mesas bonitas, com muitas flores. Acho que o maior que eu conhecia era o do Hotel Kempinski em Berlim, mas esse não fica atrás.

Café da manhã – Hotel Shangri-la
Foto Yeda Saigh

Fomos conhecer os hotéis ao lado do nosso com vista para o Bósforo. Jantamos no restaurante Aqua do Hotel Four Seasons, Istanbul at the Bosphorus, cinco estrelas, instalado em um antigo palácio otomano do século XIX (o Palácio Atik Pasha), à beira do estreito do Bósforo, no bairro de Beşiktaş. Combina a arquitetura histórica original com um anexo moderno. O hotel tem jardins em terraços que descem até a orla, piscina, spa, academia e restaurantes com culinária otomana e mediterrânea, próximo a pontos turísticos como o Palácio de Dolmabahçe.

Hotel Four Seasons
Foto Yeda Saigh

Fomos visitar a Igreja de Chora, famosa por seus mosaicos incríveis. O nome vem do grego chora, “campo” ou “fora dos muros”, porque a primeira igreja no local ficava além das muralhas da cidade — o edifício que se vê hoje é medieval, e os mosaicos e afrescos datam do início do século XIV, encomendados pelo estadista bizantino Teodoro Metoquita, que aparece retratado numa das cenas entregando a igreja em miniatura a Cristo.

Mosaicos da Igreja de Chora 
Foto Yeda Saigh

Boa parte das cenas da vida da Virgem não vem dos evangelhos canônicos, e sim de um texto apócrifo — não reconhecido pela Igreja — atribuído a Tiago, apresentado na tradição como irmão de Jesus, filho de São José. É de lá que saem episódios como a infância de Maria no Templo. Os mosaicos são lindos e estão muito bem conservados, resultado de um longo trabalho de restauro conduzido por pesquisadores ligados a Harvard.

Mosaicos da Igreja de Chora
Foto Yeda Saigh

De lá seguimos para Nişantaşı, o bairro mais chique da cidade — o nome significa literalmente “pedra de marca”, em referência às colunas erguidas para assinalar onde caíam as flechas e os tiros dos sultões durante as práticas de tiro ao alvo. Fomos a um shopping enorme e depois almoçamos numa brasserie Nisantasi Brasserie que dá acesso a uma loja de roupas na Rua Abdi İpekçi que é a rua mais famosa para compras de luxo. Caminhamos pela região, uma rua cheia de grifes, bem bonita.

Shopping
Foto Yeda Saigh

Jantamos no restaurante Bellini, dentro do Hotel Çırağan Palace Kempinski — ótimo! O palácio é lindo, com vários outros restaurantes dentro, e tem uma história e tanto: construído nos anos 1860 para o sultão Abdülaziz, serviu depois de residência forçada ao sultão deposto Murad V, que ali passou quase três décadas sem sair. Em 1910, já abrigando o Parlamento otomano, foi destruído por um incêndio que o deixou em ruínas por quase oitenta anos, até ser reconstruído como hotel. 

Çırağan Palace Foto Yeda Saigh
Foto Yeda Saigh
Çırağan Palace Foto Yeda Saigh
Foto Yeda Saigh

Fomos jantar no Sunset Grill & Bar, longe, no alto de uma montanha, muito bonito, com vista sobre o Bósforo. Comida ótima!

Sunset rooftop
Foto Yeda Saigh
Sunset rooftop
Foto Yeda Saigh

Para terminar um pensamento do famoso escritor Orhan Pamuk:

“A beleza e o mistério deste mundo só vêm à tona por meio do carinho, da atenção, do interesse e da compaixão… abra bem os olhos e realmente veja o mundo, atentando para suas cores, seus detalhes e sua ironia.”

Boa viagem!!

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